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Governo de SP vai à China para viabilizar trem para Campinas

O vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (PSD), viajou à China na última semana para apresentar projetos estaduais a investidores, com foco no Trem Intercidades (TIC

Nelson de Sá - Folhapress

Publicado em 26/01/2024 às 18:00

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Ligando a capital paulista a Campinas, ele vai a leilão no dia 29 de fevereiro / Fernando Nascimento/Governo do Estado

O vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (PSD), viajou à China na última semana para apresentar projetos estaduais a investidores, com foco no Trem Intercidades (TIC). Ligando a capital paulista a Campinas, ele vai a leilão no dia 29 de fevereiro.

Ramuth cita contatos com um fundo chinês e "players" como a construtora ferroviária CRCC e a fabricante de trens CRRC, estatais de Pequim. "Existe um interesse grande de grupos chineses, que já estão analisando a possibilidade de participação", afirma.

"A apresentação do portfólio foi completa, todos os itens, e é claro que a Sabesp traz também um certo olhar, mas os principais projetos são os ferroviários", diz. Além do TIC, citou a posterior expansão do metrô e da CPTM como tendo chamado atenção.

Daqui a duas semanas, o próprio governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve viajar à Europa para apresentar os projetos, que incluem ainda a venda da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). Questionado, o vice diz não ser possível divulgar os grupos que já mostraram interesse, cuja "formalização se dará no momento do leilão, de fato".

Para Ramuth, o trem de média velocidade para Campinas, o primeiro do gênero no país, será simbólico de uma retomada do transporte ferroviário para passageiros. "Infelizmente o Brasil optou, lá atrás, pelo transporte rodoviário. As nossas ferrovias foram sucateadas."

Ele diz que era prefeito de São José dos Campos quando surgiu o projeto de trem-bala ligando Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, no governo Dilma Rousseff. "Foi naquela época a inauguração da primeira linha do trem de alta velocidade da China. Hoje eles têm 60 mil quilômetros. Nós não conseguimos sair da ideia ainda."

Contra o que chama de "trem-balela", Ramuth diz que "agora vai ser diferente". Se tudo correr como programado no leilão, o início das obras aconteceria neste ano, mas com previsão de entrar em operação apenas em 2030.

"Obras como esta são de Estado, não obras de gestão", diz. "Têm que iniciar numa gestão, para que outras possam fazer a entrega. Cada governo tem que fazer a sua parte, como projeto de Estado." Cita estudos para duas outras ferrovias no futuro, ligando São Paulo a Sorocaba e a São José dos Campos.

"Lembrando que o BNDES também vai participar do financiamento" do Trem Intercidades, sublinha. "Já houve um acordo entre o governo estatal e o governo federal. Mas não é um recurso federal sendo aplicado. É um financiamento."

Há pouco mais de um mês, o governador paulista discursou em cerimônia no Palácio do Planalto, ao lado do presidente Lula, agradecendo a aprovação do financiamento de R$ 6,4 bilhões do BNDES para o TIC, como parte do Programação de Aceleração do Crescimento (PAC).

O edital prevê um investimento total de R$ 13,5 bilhões, inclusive obras de modernização. Abrange, além do "expresso" TIC (Barra Funda-Jundiaí-Campinas), o "parador" TIM (Trem Intermetropolitano), com cinco estações, e o "parador metropolitano", com 17, trecho hoje operado pela CPTM.

A empresa ou o consórcio vencedor "vai construir, vai entregar os trens, entregar tudo", diz Ramuth. A produção dos veículos, acrescenta, poderá ser no próprio Brasil. O preço máximo a ser permitido, para a passagem entre São Paulo e Campinas, será de R$ 64.

A velocidade máxima, em princípio, é de 140 quilômetros por hora, daí a descrição como de trem de velocidade média, enfatizada pelo vice-governador.

Na sexta-feira (19), começaram no Chile as operações do que o governo do país chamou de "momento histórico", um trem de passageiros com velocidade máxima de 160 quilômetros por hora. Liga a capital, Santiago, a Curicó, região vinícola, a 230 quilômetros de distância.

A exemplo do Brasil, também o Chile passou por décadas de abandono do transporte ferroviário pelo rodoviário. Os novos trens foram fabricados pela CRRC Sifang, uma das mais antigas empresas do setor na China.

Ramuth diz que, com a China, "possibilidade passou a ser realidade" para a retomada ferroviária. Por exemplo, a montadora BYD assumiu a produção dos trens para a linha entre a Estação Morumbi da CPTM e o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, mesmo tendo que se adaptar a um monotrilho já existente, europeu.

"A China já tem know-how, seja de trem de média velocidade, de alta velocidade, agora a BYD produzindo nossos trens da linha 17-Ouro", diz ele, que também visitou a montadora na viagem. "Estão sendo feitos na China. A operação da linha deve ficar para 2026, mas os trens do monotrilho já começam a chegar neste ano. Eram para a Copa de 2014."

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