Movimentos protestam contra projeto que equipara aborto com homicídio

Grupos se uniram em um movimento de resistência contra a aprovação da proposta apresentada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL/RJ)

Mulheres vão às ruas de diversas partes do país em protesto contra o avanço do projeto de lei que equipara aborto a homicídio

Mulheres vão às ruas de diversas partes do país em protesto contra o avanço do projeto de lei que equipara aborto a homicídio | Paulo Pinto/Agência Brasil

Iniciaram nesta quinta-feira (13) manifestações em diversas partes do País contra o avanço do projeto de lei que equipara aborto a homicídio. Na capital paulista a manifestação aconteceu em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) e percorreu a avenida Paulista.

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Os grupos se uniram em um movimento de resistência contra a aprovação da proposta apresentada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL/RJ). Manifestantes ergueram cartazes com críticas ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e em protesto contra “PL da Gravidez Infantil”, como vem sendo chamada.

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Nesta quarta-feira (12) o projeto de lei que equipara as penas do aborto de gestação de até 22 semanas ao crime de homicídio. Com a urgência, o projeto será votado diretamente no plenário da Casa sem passar por análise de comissões relacionadas ao tema do projeto.

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Na noite desta quinta os atos aconteceram em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Florianópolis, Manaus e Recife, a partir das 18h.

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Manifestações programadas

Novos atos já estão confirmados para lutar em defesa dos direitos das mulheres. Confira:

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  1. Para esta sexta-feira (14), há um ato em Porto Alegre, a partir das 17h, na Esquina Democrática.
  2. Em São Paulo, uma nova manifestação deve acontecer este sábado (15) a partir das 15h, também no Masp.
  3. em Recife, a manifestação deve ocorrer na Praça do Derby, às 16h da próxima segunda-feira (17).

Direitos em risco

De acordo com especialistas, o projeto de lei afetaria principalmente crianças vítimas de violência sexual. A identificação da gravidez de crianças após estupro é mais demorada, o que atrasa também o pedido de ajuda e atendimento em serviços de saúde, e põe em risco a vida das vítimas. 

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A Gazeta conversou com a advogada Thaynara Gargiulo sobre o assunto, ela afirmou que enquanto o aborto for criminalizado, os direitos das mulheres estarão em risco.

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“A equiparação é uma política que reflete uma visão machista e retrógrada da sociedade, onde a liberdade e os direitos reprodutivos e sexuais da mulher não são plenamente reconhecidos. É uma visão contrária aos direitos fundamentais das mulheres à autonomia de seus corpos e a sua própria dignidade.” completou Gargiulo.

A Proposta de Emenda Constitucional 181/15 coloca em risco as formas de aborto atualmente permitidas no Código Penal Brasileiro, inclusive nos casos de estupro.

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O texto interfere na interpretação de todas as leis e portarias que atualmente autorizam serviços de aborto legal no Brasil. 

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A proposta estabelece a aplicação de pena de homicídio simples nos casos de aborto em fetos com mais de 22 semanas, após esse período a prática será criminalizada.

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*Texto sob supervisão de Lara Madeira