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São Paulo não vai desistir da ideia de privatizar Sabesp, diz presidente da Câmara

Em evento com empresários na capital paulista, Leite disse que a privatização da Sabesp envolve uma confusão na concessão da terra e da água no estado

Stéfanie Rigamonti E Thiago Amâncio/Folhapress

Publicado em 28/11/2023 às 14:46

Atualizado em 28/11/2023 às 14:51

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Apesar da possibilidade de aprovação da privatização da Sabesp na próxima semana, o estado ainda não informou quanto pretende arrecadar com a venda das ações da empresa / Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Milton Leite (União Brasil), disse nesta terça-feira (28) que a cidade de São Paulo não abrirá mão de ter participação decisiva nas discussões sobre a privatização da Sabesp, companhia de saneamento básico do estado.

Em evento com empresários na capital paulista, Leite disse que a privatização da Sabesp envolve uma confusão na concessão da terra e da água no estado.

"A Sabesp é uma empresa controlada pelo governo do estado, pelo governo estadual, não pela intendência municipal. Mas a propriedade de explorar água e esgoto é do município. Veja o que a gente está tentando destravar neste momento, que é o maior leilão do mercado neste momento", declarou.

A Alesp (Assembleia Legislativa) pode aprovar a privatização da companhia de saneamento na próxima semana, na avaliação dos deputados. O projeto de lei foi aprovado na última quarta (22) em comissões da Casa, e agora vai para plenário.

Como o governo toca a privatização a partir de um projeto de lei ordinária, são necessários apenas 48 votos do total de 94 deputados em plenário, e a base de Tarcísio diz que já tem apoio suficiente para aprová-la.

"O problema que nós temos é que a propriedade da terra onde se encontram as caixas de água da cidade de São Paulo, que são as represas de Guarapiranga e Billings, são propriedades do governo do estado de São Paulo. Mas a Sabesp é uma empresa. Então, o governo do estado está vendendo a terra para um e a água para outro. E o detentor desse poder de concedente é o município de São Paulo. Veja a situação de intranquilidade", disse.

Com um discurso previsto para se estender por 15 minutos, a declaração foi interrompida aos 13 minutos aproximadamente. O evento estava sendo transmitido pela TV Cultura, emissora pública que pertence ao estado de São Paulo. À Folha de S.Paulo, Cecilia Luchía-Puig, diretora da Líderes TV, organizadora do evento, disse que a interrupção do discurso foi feita para ser alinhada ao tempo de transmissão.
Leite, contudo, falou com a imprensa após seu discurso, e foi questionado se o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) estaria tocando a privatização de forma errada. O deputado, então, afirmou que "falta discussão".

Apesar da possibilidade de aprovação da privatização da Sabesp na próxima semana, o estado ainda não informou quanto pretende arrecadar com a venda das ações da empresa porque não definiu se a participação estatal será de 15% ou de 30%, o que deve ser feito até janeiro.

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Também não informou quanto a tarifa vai baixar caso a empresa seja privatizada, um dos principais argumentos para a desestatização.

"A discussão existe e nós não estamos fechados. Nós queremos um ambiente bom, mas transparente na sociedade", disse Leite nesta terça.

"Nós estamos hoje, no ponto de vista de valor, sem a métrica básica. O que é? Ninguém tem a referência certa. De onde se tirou isso? De onde está o cálculo dos investimentos previstos?", declarou o presidente da Câmara.

"Quem responderá pela Constituição ambiental? Quem participará da agência [reguladora]? Como fica o fim da tarifa proposta de subsídio para a água? No dia que encerrar, quem é que vai responder por isso? Essas coisas não estão claras", prosseguiu.

Apesar da pressa do governador Tarcísio para finalizar o processo de privatização da Sabesp, Leite afirmou que não há um tempo definido para isso. "Nós temos tempo de contrato para cumprir com o governo do Estado. Teremos que aguardar o momento correto", disse.

Em 2010 foi celebrado convênio entre o estado, a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) e a Sabesp, para regulamentar o oferecimento compartilhado do serviço de abastecimento de água e esgoto no município de São Paulo.

O contrato garante a prestação pela Sabesp dos serviços de água e esgoto a São Paulo pelo prazo de 30 anos, com possibilidade de ser prorrogado.

O contrato de exploração do abastecimento de água e de esgoto em São Paulo estabelece que, caso a companhia seja privatizada, o acordo está rompido e deve ser renegociado.

Em agosto, porém, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) incluiu a cidade em uma das chamadas Unidades Regionais de Abastecimento de Água e Esgotamento (Uraes). O governo pretende usar as Uraes para negociar contratos da Sabesp privatizada em bloco, e não cidade a cidade, enfraquecendo o poder de barganha de cada município.

Os vereadores, no entanto, afirmam que, mesmo com a inclusão na Urae, o contrato precisará ser renegociado com a capital.

A Casa não tem o mesmo apetite para a desestatização que a Alesp, mesmo entre parlamentares de partidos que compõem a base do governo, como PSD e União Brasil -inclusive Milton Leite. Há uma Comissão Especial para Estudos Relativos ao Processo de Privatização da Sabesp para discutir os termos da privatização.

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