Publicidade

X

CAPITAL

Vereadores de São Paulo sugerem tarifa zero para linhas da periferia

Essa é uma das sugestões que integra o relatório da subcomissão da tarifa do transporte público da Câmara municipal

CARLOS PETROCILO - Folhapress

Publicado em 06/12/2023 às 18:14

Atualizado em 06/12/2023 às 18:27

Comentar:

Compartilhe:

A-

A+

Publicidade

Nunes aposta na tarifa zero como um dos seus trunfos na tentativa de reeleição em 2024 / Rovena Rosa/Agência Brasil

Vereadores de São Paulo pediram que o prefeito Ricardo Nunes (MDB) estabeleça a tarifa zero em linhas de ônibus que atendem a periferia da cidade.

Essa é uma das sugestões que integra o relatório da subcomissão da tarifa do transporte público da Câmara municipal. O texto, que tem relatoria do vereador Sidney Cruz (Solidariedade), foi aprovado pela Comissão de Finanças e Orçamento do Legislativo nesta quarta-feira (6).

O relatório, no entanto, não detalha quais seriam as linhas beneficiadas, nem explica como funcionaria o mecanismo e como ele seria bancado. Atualmente a passagem custa R$ 4,40.

"É um plano experimental para ter de forma efetiva qual será o comportamento com relação a demanda, qualidade dos ônibus", afirmou Cruz.

Outras sugestões apresentadas pelo vereador estipulam a tarifa tarifa zero aos domingos e durante a madrugado. A primeira modalidade é considerada a principal recomendação do Legislativo, e a gestão Nunes já indicou que ela pode ser implementado em fase de teste até o fim do ano. Já a sugestão para o turno da madrugada ainda depende de estudos de demanda e custo.

Faça parte do grupo da Gazeta no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Cruz diz que a gratuitidade aos domingos terá um papel de inclusão social. "Para que as pessoas tenham acesso aos shoppings, aos parques, aos templos religiosos, às casas dos familiares. Essas pessoas não possuem condições de saírem aos finais de semana sem ter impacto na sua renda", afirmou o vereador.

Aprovado pela comissão, o relatório com 56 páginas será encaminhado à prefeitura. Há uma articulação entre o prefeito e vereadores da base, liderados pelo presidente da Câmara, Milton Leite (União Brasil), para tirar a gratuidade do papel.

Além do relatório, os vereadores que encabeçam a Comissão de Finanças assinaram um projeto de lei que prevê a entrega de 44 passagens mensais à população de baixa renda. Seriam beneficiados pessoas inscritas no CadÚnico e no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Em setembro, o municícpio de São Paulo tinha 1.861.122 famílias inscritas no CadÚnico, além de 193 mil registradas no Caged como desempregadas. O projeto teve parecer favorável da comissão de Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa da Casa nesta segunda (4) e poderá ser votada pelo Plenário até o fim de 2023.

Nunes aposta na tarifa zero como um dos seus trunfos na tentativa de reeleição em 2024. Por outro lado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é contrário à ideia.

Na Capital, a prefeitura é quem administra as linhas de ônibus, enquanto o governo estadual é responsável por metrô e trem. Tradicionalmente, há um acordo para que os três modais sempre tenham o mesmo valor da tarifa.

Para Rafael Calabria, coordenador de mobilidade urbana do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), o projeto de lei dos vereadores não condiz com a lógica do passe livre. "O discurso de começar pelo setor de baixa renda é importante, mas limitar o número de embarques limita a proposta", afirma Calabria.

"O estudo [apresentado hoje] não considera qual a remuneração pagas às empresas de ônibus. Com a tarifa zero, vai aumentar o número de passageiros e a remuneração da tarifa, consequentemente, ficará mais cara", completa.

Segundo dados da SPTrans de 2021, o custo real de uma passagem era de R$ 8,71 para saldar gastos com frota, manutenção, combustível, mão de obra e infraestrutura dos terminais.

Neste ano, a prefeitura poderá pagar quase R$ 6 bilhões de subsídios às empresas de ônibus. A tarifa está congelada em R$ 4,40 desde 2020. A gestão Nunes prevê que deverá gastar por ano ao menos mais R$ 5 bilhões para custear a tarifa zero.

Apoie a Gazeta de S. Paulo
A sua ajuda é fundamental para nós da Gazeta de S. Paulo. Por meio do seu apoio conseguiremos elaborar mais reportagens investigativas e produzir matérias especiais mais aprofundadas.

O jornalismo independente e investigativo é o alicerce de uma sociedade mais justa. Nós da Gazeta de S. Paulo temos esse compromisso com você, leitor, mantendo nossas notícias e plataformas acessíveis a todos de forma gratuita. Acreditamos que todo cidadão tem o direito a informações verdadeiras para se manter atualizado no mundo em que vivemos.

Para a Gazeta de S. Paulo continuar esse trabalho vital, contamos com a generosidade daqueles que têm a capacidade de contribuir. Se você puder, ajude-nos com uma doação mensal ou única, a partir de apenas R$ 5. Leva menos de um minuto para você mostrar o seu apoio.

Obrigado por fazer parte do nosso compromisso com o jornalismo verdadeiro.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

AMARELINHA

Dorival chama são-paulinos e palmeirenses na primeira convocação

Dorival Jr. fez a sua primeira convocação para a seleção brasileira nesta sexta; veja lista

MUNDO

OMS afirma que uma a cada oito pessoas são obesas

Cerca de mais de 1 bilhão de pessoas são obesas; obesidade entre crianças quadruplicou desde 1990

©2021 Gazeta de São Paulo. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

Newsletter