A palavra no rótulo que faz muita gente pagar mais caro achando que come melhor

Produtos com mais proteína viraram febre nas prateleiras, mas preço, calorias, açúcares, sódio e ingredientes também entram na conta

Barrinhas, shakes e iogurtes proteicos prometem praticidade, mas nem sempre entregam melhor custo-benefício do que alimentos comuns (Foto: Pexels)

Com a recente alta do estilo de vida fitness, tem sido comum observar inúmeros produtos vendidos como “proteicos” nas prateleiras dos mercados. Barrinhas, laticínios, bebidas, doces e salgadinhos são alguns exemplos desses itens “com mais proteína”.

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No entanto, para quem busca uma alimentação mais saudável e balanceada, sobretudo em relação ao consumo calórico, e também quer gastar menos, esses produtos podem não ser ideais.

Mesmo que possam ter quantidades consideráveis de proteínas, esses alimentos, em alguns casos, têm, em sua composição, ingredientes que tornam o produto não tão saudável. Além disso, costumam ter um preço maior que itens mais baratos, capazes de entregar um resultado nutritivo semelhante e satisfatório.

Por que a proteína é tão importante?

Junto das gorduras e dos carboidratos, as proteínas são um dos macronutrientes essenciais para a nossa sobrevivência. Formadas por aminoácidos, elas são obtidas por meio de diversas fontes, como carnes, ovos, laticínios e vegetais.

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Dentre suas funções, destacam-se a produção de enzimas e hormônios, o fortalecimento do sistema imunológico e a sensação de saciedade. Sua alta relevância nos últimos tempos se dá por sua principal função: a manutenção e o ganho de massa muscular.

Por seu papel na estruturação e no crescimento do corpo, muitas pessoas acreditam que realizar atividades físicas, como a musculação, e consumir uma alta quantidade de proteínas pode potencializar os resultados, o que, parcialmente, é verdade.

O mais indicado para adultos é que a ingestão proteica diária seja de 0,84 grama por quilo para homens e 0,75 grama por quilo para mulheres. Para quem busca ganho de massa muscular, o recomendado passa a ser de até 1,6 grama por quilo.

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Consumir mais do que isso pode ser desnecessário, não trazer nenhum benefício adicional e até ocasionar efeitos indesejados, como ganho de gordura, danos aos rins, em pessoas com doenças renais crônicas, e intoxicação por proteína, que ocorre quando não há ingestão suficiente de outros nutrientes.

Proteína como vitrine

Nesse contexto, a indústria alimentícia usou a popularidade do consumo de proteínas como uma oportunidade para lançar produtos com maior teor desse macronutriente.

Esses alimentos enriquecidos são feitos por meio do isolamento de proteínas de fontes naturais, como whey e caseína, vindas do leite, além de versões de origem vegetal, que depois são misturadas ao restante dos ingredientes.

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É dessa forma que os famosos shakes, iogurtes, barrinhas e snacks proteicos são produzidos. Eles são vendidos como alternativas mais práticas para aumentar o consumo desse nutriente no dia a dia.

Nem sempre compensa

A praticidade, porém, não significa necessariamente melhor custo-benefício. Em muitos casos, o consumidor paga mais pela conveniência, pela embalagem e pelo apelo fitness do que por uma diferença nutricional realmente expressiva.

Um produto proteico pode até entregar uma quantidade maior do nutriente, mas isso precisa ser comparado com o restante da alimentação.

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Ovos, leite, iogurte natural, frango, peixe, feijão, lentilha e grão-de-bico, por exemplo, também oferecem proteínas e costumam entrar na rotina com mais facilidade e menor custo.

Outro ponto importante está na saciedade. Alguns desses alimentos enriquecidos são consumidos como lanche rápido, mas nem sempre sustentam tanto quanto uma refeição simples, feita com alimentos menos processados e combinada com fibras, carboidratos e gorduras de boa qualidade.

Por isso, a promessa de “mais proteína” não deve ser lida como sinônimo automático de escolha mais vantajosa.

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Às vezes, o produto resolve uma necessidade pontual, como um lanche fora de casa ou um pós-treino corrido. Em outras, apenas substitui uma opção mais barata e igualmente eficiente.

Como escolher melhor

Na hora da compra, o primeiro passo é olhar além da parte da frente da embalagem. É comum que a quantidade de proteína apareça em destaque, enquanto informações como calorias, gorduras, açúcares, sódio e fibras ficam restritas à tabela nutricional.

Também vale observar a porção usada como referência. Um produto pode parecer rico em proteína quando a embalagem inteira é considerada, mas entregar uma quantidade bem menor quando se olha apenas a porção recomendada pelo fabricante.

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A lista de ingredientes ajuda a entender melhor o produto. Quando ela é muito extensa, com muitos aditivos, aromatizantes, adoçantes e componentes pouco familiares, o alimento pode estar mais próximo de um ultraprocessado do que de uma opção realmente equilibrada.

Outro caminho é comparar o preço com a quantidade de proteína oferecida. Em vez de olhar apenas o valor da embalagem, o ideal é perceber quanto se está pagando por cada grama do nutriente.

Essa conta simples mostra quando o consumidor está comprando proteína de fato e quando está pagando principalmente pelo marketing.