A corrida por minerais estratégicos ganhou um novo capítulo com a descoberta de um tesouro no Japão

Estimativas preliminares apontam até 16 milhões de toneladas de minerais terras raras, com diprósio e ítrio, metais usados em chips, carros elétricos e lasers

A descoberta foi feita pelo navio de mineração Chikyu

A descoberta foi feita pelo navio de mineração Chikyu | Gleam / Wikimedia Commons

O Japão encontrou indícios de um grande depósito de minerais de terras raras após recolher amostras em águas profundas perto da ilha de Minami Torishima, no Pacífico.

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Se a presença for confirmada, a descoberta pode reduzir a dependência japonesa da China, que hoje concentra a cadeia de exportação e processamento desses metais. O tema ganha peso em meio à escalada das tensões geopolíticas e à alta no preço de componentes eletrônicos de alta tecnologia, como microchips e memórias RAM.

Terras raras como pivô geopolítico

Os minerais conhecidos como terras raras são essenciais para a indústria de tecnologia de ponta, inclusive para a produção de microchips.

Por causa dessa importância, países que controlam a extração e o processamento desses metais saem na frente em negociações e disputas políticas. Hoje, esse protagonismo é da China.

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Dados recentes apontam que o país domina a maior parte do mercado de exportação e processamento, mesmo com outros países tendo reservas relevantes de minerais estratégicos, como as reservas de nióbio em território brasileiro.

Esse cenário dá à China mais poder em negociações, que já foram utilizadas anteriormente, como na guerra comercial entre a nação asiática e os EUA. A tensão aumenta quando há rivalidades já existentes, como no caso do Japão. 

Cenário japonês

O Japão participa de articulações regionais para conter a expansão chinesa na Ásia, como o Quad, com Estados Unidos, Índia e Austrália.

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Essas alianças colocam o país como rival regional ativo contra interesses chineses. Ao mesmo tempo, a economia japonesa mantém forte relação com a do rival. Nesse contexto, a descoberta de terras raras dentro do território japonês pode mudar o jogo e dar mais margem de manobra ao governo de Tóquio.

A possível virada também se conecta ao debate sobre Taiwan, onde está uma parte central da produção de microchips avançados. O tema entrou no radar em declarações recentes do governo japonês sobre o risco de conflito na região.

Descoberta

A amostra foi coletada por um navio de perfuração em águas com mais de seis mil metros de profundidade, na costa da remota ilha de Minami Torishima. Após análises preliminares, a área pode se tornar um dos maiores depósitos de terras raras do mundo.

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Estimativas iniciais indicam que a região pode conter até 16 milhões de toneladas métricas desses materiais, com destaque para diprósio e ítrio. Esses minerais são usados na indústria de celulares, carros elétricos e lasers, setores diretamente afetados pela concentração global desse tipo de insumo.

“A amostra será submetida a uma análise detalhada, incluindo a quantidade precisa de elementos raros que contém […] Uma conquista significativa em termos de segurança econômica e desenvolvimento de capacidades marítimas” 
disse Kei Sato, porta-voz do governo japonês, ao Le Monde