O Japão encontrou indícios de um grande depósito de minerais de terras raras após recolher amostras em águas profundas perto da ilha de Minami Torishima, no Pacífico.
Se a presença for confirmada, a descoberta pode reduzir a dependência japonesa da China, que hoje concentra a cadeia de exportação e processamento desses metais. O tema ganha peso em meio à escalada das tensões geopolíticas e à alta no preço de componentes eletrônicos de alta tecnologia, como microchips e memórias RAM.
Terras raras como pivô geopolítico
Os minerais conhecidos como terras raras são essenciais para a indústria de tecnologia de ponta, inclusive para a produção de microchips.
Por causa dessa importância, países que controlam a extração e o processamento desses metais saem na frente em negociações e disputas políticas. Hoje, esse protagonismo é da China.
Dados recentes apontam que o país domina a maior parte do mercado de exportação e processamento, mesmo com outros países tendo reservas relevantes de minerais estratégicos, como as reservas de nióbio em território brasileiro.
Esse cenário dá à China mais poder em negociações, que já foram utilizadas anteriormente, como na guerra comercial entre a nação asiática e os EUA. A tensão aumenta quando há rivalidades já existentes, como no caso do Japão.
Cenário japonês
O Japão participa de articulações regionais para conter a expansão chinesa na Ásia, como o Quad, com Estados Unidos, Índia e Austrália.
Essas alianças colocam o país como rival regional ativo contra interesses chineses. Ao mesmo tempo, a economia japonesa mantém forte relação com a do rival. Nesse contexto, a descoberta de terras raras dentro do território japonês pode mudar o jogo e dar mais margem de manobra ao governo de Tóquio.
A possível virada também se conecta ao debate sobre Taiwan, onde está uma parte central da produção de microchips avançados. O tema entrou no radar em declarações recentes do governo japonês sobre o risco de conflito na região.
Descoberta
A amostra foi coletada por um navio de perfuração em águas com mais de seis mil metros de profundidade, na costa da remota ilha de Minami Torishima. Após análises preliminares, a área pode se tornar um dos maiores depósitos de terras raras do mundo.
Estimativas iniciais indicam que a região pode conter até 16 milhões de toneladas métricas desses materiais, com destaque para diprósio e ítrio. Esses minerais são usados na indústria de celulares, carros elétricos e lasers, setores diretamente afetados pela concentração global desse tipo de insumo.
“A amostra será submetida a uma análise detalhada, incluindo a quantidade precisa de elementos raros que contém […] Uma conquista significativa em termos de segurança econômica e desenvolvimento de capacidades marítimas”
disse Kei Sato, porta-voz do governo japonês, ao Le Monde





