Um dos projetos de engenharia mais ambiciosos do mundo está com os dias contados. O aeroporto de Kansai, no Japão, inaugurado em 1994 com um investimento colossal de R$ 94 bilhões, está afundando lentamente e pode desaparecer em menos de 30 anos.
A previsão alarmante de especialistas aponta que o terminal internacional estará submerso até o ano de 2055, o que já causa profunda preocupação nas autoridades e promete gerar transtornos irreparáveis para as companhias aéreas de diversos países.
O mistério da ‘esponja molhada’
A raiz do problema de Kansai está na sua fundação. Como as cidades próximas são densamente povoadas, impossibilitando uma expansão em terra firme, o aeroporto foi erguido sobre duas ilhas artificiais.
O obstáculo é que o terreno marítimo comporta-se como uma “esponja molhada”.
A engenharia da época previa que o solo passaria por um processo para se transformar em uma base seca e densa, capaz de suportar o peso gigantesco das instalações.
Contudo, a estrutura já cedeu 11,5 metros desde a sua construção. Para manter a segurança e a viabilidade das operações, o nível do terminal deveria estar sempre a quatro metros acima do nível do mar, uma margem que diminui ano a ano.
Um gigante que resistiu a tudo (menos ao tempo)
O cenário torna-se ainda mais irônico quando se analisa o histórico de resistência do aeroporto. Projetado para suportar imprevistos climáticos extremos, Kansai é uma verdadeira fortaleza e já sobreviveu a episódios catastróficos sem sofrer estragos consideráveis:
- Foi atingido pelo devastador grande terremoto de Hanshin, em 1995;
- Enfrentou um violento tufão em 2018, que chegou a inundar as pistas com água do mar;
- Suportou a colisão direta de um navio-tanque contra a ponte que conecta a ilha ao continente, mantendo-se em pleno funcionamento.
Expectativa vs. realidade
Quando foi inaugurado na década de 1990, os responsáveis pelo projeto imaginavam que o aeroporto operaria com segurança por pelo menos 50 anos.
No entanto, a realidade do afundamento contínuo impôs uma contagem regressiva inesperada, colocando em xeque um dos hubs logísticos mais importantes da Ásia.





