A Etiópia deu início à construção de um mega aeroporto da África que promete se tornar o maior aeroporto de todo o continente.
Batizado de Aeroporto Internacional de Bishoftu, o empreendimento receberá investimentos de US$ 12,5 bilhões e terá capacidade para atender 110 milhões de passageiros por ano quando todas as etapas forem concluídas.
Localizado entre 40 e 45 quilômetros de Adis Abeba, capital etíope, o novo terminal representa uma das maiores apostas do país para fortalecer sua posição no mercado da aviação internacional.
A primeira fase deve entrar em operação em 2030, com capacidade inicial para 60 milhões de passageiros anuais.
Projeto quer transformar Bishoftu em um hub global
O Aeroporto Internacional de Bishoftu nasceu com a missão de consolidar a Etiópia como um dos principais centros de conexão aérea do planeta.
O projeto prevê quatro pistas, estacionamento para 270 aeronaves e uma estrutura capaz de superar os maiores aeroportos atualmente em funcionamento no continente.
Mesmo antes da conclusão total, a primeira etapa já colocará Bishoftu entre os grandes hubs internacionais.
Posteriormente, a expansão elevará a capacidade para 110 milhões de passageiros por ano, número próximo ao registrado pelos aeroportos mais movimentados do mundo.
Além disso, o plano prioriza passageiros em trânsito. Segundo os responsáveis pelo projeto, até 80% do fluxo poderá ser formado por viajantes em conexão.
Este fato irá fortalecer ainda mais a posição estratégica da Ethiopian Airlines nas rotas entre África, Europa, Ásia e Oriente Médio.
Muito mais do que o mega aeroporto da África
O empreendimento vai além da construção de um terminal aéreo. A Ethiopian Airlines, em parceria com o escritório Zaha Hadid Architects, desenvolveu o conceito de uma “cidade-aeroporto”.
O complexo reunirá hotéis, áreas comerciais, centros de carga, espaços para conexão de passageiros e sistemas de transporte rápido, criando uma infraestrutura integrada para atender tanto turistas quanto operações logísticas.
A iniciativa também acompanha o plano estratégico Vision 2035, por meio do qual a Ethiopian Airlines pretende ampliar sua presença global.
Atualmente, a companhia opera voos para mais de 160 destinos, incluindo rotas domésticas, internacionais e de carga.
Novo aeroporto resolverá limitações da capital
Outro fator impulsionou a escolha de Bishoftu para receber o projeto. O atual aeroporto internacional de Addis Ababa Bole, principal porta de entrada da Etiópia, enfrenta limitações para crescer devido à intensa urbanização ao seu redor.
Por esse motivo, Bishoftu oferece uma alternativa mais eficiente. Como o aeroporto será construído em uma área aberta, haverá espaço suficiente para futuras ampliações e modernizações.
Durante o lançamento das obras, o primeiro-ministro Abiy Ahmed Ali classificou a iniciativa como “o maior projeto de infraestrutura aeronáutica da história da África”, segundo informações da Reuters.
Quando o mega aeroporto ficará pronto?
As obras começaram oficialmente em janeiro de 2026. Conforme informou a Reuters, a Ethiopian Airlines pretende financiar cerca de 30% do investimento, enquanto o restante dos recursos virá de instituições financeiras internacionais.
O Banco Africano de Desenvolvimento também participa da operação.
A entidade já confirmou um aporte de US$ 500 milhões e trabalha para captar aproximadamente US$ 8,7 bilhões, valor considerado essencial para garantir a execução completa do projeto.
Aviação africana vive momento de expansão
O megaempreendimento acompanha o crescimento acelerado da aviação no continente.
Segundo projeções da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), o número de passageiros na África deverá crescer, em média, 3,7% ao ano entre 2023 e 2043, o que representa um acréscimo de 179 milhões de passageiros no período.
Outro estudo, elaborado pelo Air Transport Action Group (ATAG), mostra que o setor aéreo já sustenta 8,1 milhões de empregos e movimenta cerca de US$ 75 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) africano.
Até 2043, a expectativa é que esses números alcancem 16 milhões de empregos e US$ 190 bilhões, consolidando a aviação como um dos principais motores econômicos do continente.






