Desde o início de 2026, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo autoriza o uso de carros automáticos em todos os locais de prova do estado, depois de reconhecer a crescente presença desses veículos no Brasil.
Atualmente, mais de 60% dos carros do país têm uma peça criada por dois brasileiros esquecidos na história. Conheça a origem brasileira do câmbio automático.
A dupla brasileira não foi a primeira a tentar automatizar a transmissão de marchas. Em 1902, os irmãos Sturtevant, nos Estados Unidos, e depois o canadense Alfred Horner Munro, em 1921, haviam testado sistemas anteriores. Nenhum deles, porém, teve a robustez necessária para produção em série.
Quem inventou o câmbio automático?
O câmbio automático que hoje equipa a maior parte dos carros vendidos no Brasil nasceu de um projeto de dois engenheiros brasileiros, José Braz Araripe e Fernando Iehly de Lemos. A tecnologia foi patenteada em 1932 nos Estados Unidos.
A dupla desenvolveu um sistema de transmissão hidráulica capaz de trocar as marchas sem uso do pedal de embreagem. Depois, vendeu os direitos para a General Motors, dando origem ao famoso Hydra-Matic.
Os engenheiros se mudaram para os Estados Unidos na década de 1920 para trabalhar em oficinas de reparos navais. Lá, eles passaram a se dedicar ao desenvolvimento de um sistema de transmissão mais prático.
Foram necessários mais de 10 anos de trabalho e contato com montadoras para que a dupla desenvolvesse uma caixa de câmbio que dispensava o pedal de embreagem. A General Motors reconheceu o potencial do projeto e comprou a patente.
Como funciona o câmbio automático criado pelos brasileiros?
O sistema desenvolvido por Araripe e Lemos combina engrenagens planetárias com um circuito hidráulico responsável por transmitir a força do motor para as rodas.
Esse mecanismo permitia que as trocas de marcha acontecessem de forma automática, de acordo com a rotação e a velocidade do veículo.
Esse é o mesmo princípio que, apesar das atualizações, serve de base para os câmbios automáticos modernos. As gerações seguintes de transmissões automáticas ganharam mais marchas, eletrônica embarcada e maior eficiência ao longo dos anos.
A história de Araripe e Lemos não é tão conhecida, porém é uma das mais relevantes da engenharia brasileira aplicada à indústria automotiva mundial.






