O Edifício Copan, símbolo máximo da arquitetura moderna de Oscar Niemeyer no coração de São Paulo, atravessa uma de suas maiores transformações.
Com uma estrutura monumental de 120 mil m² de área construída e 32 andares, o prédio, que já foi projetado para abrigar um hotel nunca concluído, vive hoje uma rotina que confunde moradores e turistas.
Ocupando o posto de um dos maiores complexos residenciais do País e da América Latina, estima-se que vivam ali cerca de 5 mil pessoas, um número populacional superior ao de 254 cidades brasileiras.
Como funciona o prédio
Essa “cidade vertical” funciona de forma quase autossuficiente. O térreo abriga uma galeria vibrante com restaurantes, livrarias e cafés que atraem tanto quem mora no edifício quanto o público externo, consolidando o prédio como um organismo vivo que interage com o centro da Capital.
No interior do edifício, o cotidiano é pulsante, servindo como abrigo desde para estudantes universitários que alugam pequenos apartamentos até famílias que ali residem há gerações.
Assim, é possível até dizer que viver no Copan seria como morar em uma miniatura da própria capital paulista.
Vida temporária no Copan
Embora o projeto abrigue uma imensidão estrutural, dados recentes do IBGE apontam para um possível esvaziamento da moradia fixa, registrando pouco mais de mil residentes, enquanto a administração trabalha com uma estimativa de 3.500.
Estes dados demonstrariam uma crescente do uso do Airbnb para locação temporária de dormitórios.
A grande polêmica atual reside na rápida conversão de unidades para o aluguel de curta temporada. Dos 1.160 apartamentos, mais de 200 já são destinados ao Airbnb, número que equipara o edifício a hotéis de médio porte. Essa mudança de perfil tem gerado conflitos internos:
- Queixas de moradores: relatos de barulho excessivo, uso inadequado de áreas comuns e sensação de insegurança com o fluxo constante de desconhecidos;
- Visão dos anfitriões: argumentam que a modalidade trouxe movimento financeiro, novos negócios e valorização imobiliária ao prédio.
O custo de uma diária no Copan pode variar de R$ 300 (quitinetes) a R$ 2 mil (apartamentos maiores).
Mudança na gestão e ‘limbo’ jurídico
O edifício passou recentemente por uma mudança histórica em seu comando. Após a morte de Affonso Celso de Oliveira, que foi síndico por mais de 30 anos, o advogado Guilherme Milani assumiu a gestão em um momento em que o futuro dos aluguéis de temporada é incerto.
Atualmente, a atividade opera em um limbo legal, apoiada em decisões judiciais conflitantes. No entanto, um novo projeto de lei no Congresso (PL 4/2025) propõe que o aluguel por plataforma em prédios residenciais só seja permitido se estiver expressamente previsto na convenção do condomínio. Caso não conste, a prática seria proibida.
O futuro do patrimônio
Apesar das disputas, o Copan busca se reinventar para manter sua estrutura. Com uma reforma de fachada estimada em R$ 68 milhões, necessária para conter a queda de pastilhas que assola o prédio há mais de uma década, o condomínio planeja criar um instituto cultural e comercializar produtos com a marca Copan para arrecadar fundos.
Enquanto cidades como Barcelona banem o Airbnb para conter crises de moradia, o Copan segue como o epicentro de um debate sobre como equilibrar o direito de propriedade, o bem-estar dos moradores e o apetite turístico em uma metrópole global.



