Cientistas pintam vacas com listras de zebra e reduzem ataques de moscas pela metade no Japão

Técnica inspirada na natureza diminui o estresse dos animais e oferece uma alternativa sustentável para reduzir o uso de inseticidas na pecuária

Vaca preta com listras brancas

Enquanto as vacas comuns sofriam com a presença constante de insetos, as vacas "zebras" atraíram apenas metade das moscas/Ilustração/IA

Cientistas japoneses transformaram vacas pretas em “zebras” para testar uma teoria evolutiva milenar e os resultados surpreenderam o setor agrícola.

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O experimento revelou que o padrão listrado reduziu os pousos de moscas picadoras em quase 50%.

Essa descoberta reforça a ideia de que a evolução deu às zebras suas listras para funcionarem como um repelente natural contra insetos, e não para camuflagem ou controle térmico.

O experimento e a metodologia com as vacas com listras

Pesquisadores do Centro de Pesquisa Agrícola de Aichi e da Universidade de Kyoto selecionaram seis vacas da raça Japanese Black para o estudo.

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Eles dividiram o teste em três condições distintas para garantir a precisão dos dados: animais com listras brancas, animais com listras pretas e um grupo sem qualquer pintura.

Para evitar variações individuais, cada vaca passou pelas três situações em sistema de rotação. Consequentemente, os cientistas puderam comparar os efeitos do padrão visual no mesmo indivíduo.

Eles utilizaram laca à base de água para desenhar faixas de até cinco centímetros, processo que levava apenas cinco minutos por animal.

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Resultados e comportamento animal

A análise das fotografias e a observação direta mostraram dados contundentes. Enquanto as vacas comuns sofriam com a presença constante de insetos, as vacas “zebras” atraíram apenas metade das moscas.

Além disso, o gado listrado demonstrou maior bem-estar físico.

Os pesquisadores registraram que os animais pintados com branco reduziram em 20% os comportamentos defensivos, como balançar a cabeça, bater as orelhas e agitar a cauda.

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Em contrapartida, as vacas que receberam listras pretas sobre a pelagem escura mantiveram o mesmo nível de irritação do grupo sem pintura. Esse detalhe prova que o padrão visual contrastante (e não o cheiro da tinta) afasta os parasitas.

A ciência por trás da ilusão de ótica

Especialistas explicam que o segredo do sucesso está na visão das moscas. O contraste entre o preto e o branco interfere na percepção de movimento e distância dos insetos.

Desta forma, as moscas até se aproximam do animal, mas encontram extrema dificuldade para controlar a velocidade e realizar um pouso estável sobre a superfície listrada.

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Muitas vezes, elas simplesmente batem na pelagem ou desviam bruscamente no último segundo.

Futuro da pecuária sustentável

O impacto dessa pesquisa pode transformar a gestão de rebanhos. Atualmente, as moscas picadoras causam prejuízos econômicos ao interromper a alimentação do gado e transmitir doenças.

Portanto, o uso de padrões visuais surge como uma solução ecológica para diminuir a dependência de inseticidas químicos, que perdem a eficácia conforme os insetos criam resistência.

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Embora a pintura manual ainda apresente desafios práticos de durabilidade, o estudo aponta novos caminhos.

No futuro, a indústria pode desenvolver mantas listradas ou dispositivos que utilizem esse mesmo princípio óptico para proteger o rebanho de forma natural e eficiente.

Pela relevância e originalidade, o trabalho inclusive recebeu o Prêmio Ig Nobel de Biologia em 2025.

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Outro grupo de cientistas da mesma universidade já havia vencido o Prêmio Nobel de Química de 2025 pelo desenvolvimento das estruturas metal-orgânicas, conhecidas como MOFs (metal-organic frameworks).

Os materiais permitem capturar, armazenar e separar moléculas em nível atômico.