Festa da Achiropita: Tradição italiana no bairro do Bixiga completa 100 anos com procissão, cantina e uma gastronomia saborosa no mês agosto

Centenário reúne mais de mil voluntários, 35 barracas, procissão e receitas italianas durante cinco fins de semana

Igreja iluminada e ruas cheias resumem o encontro entre devoção, gastronomia e vida comunitária que marca a festa no Bixiga. (Foto: Wikimedia Commons)

Igreja iluminada e ruas cheias resumem o encontro entre devoção, gastronomia e vida comunitária que marca a festa no Bixiga. (Foto: Wikimedia Commons)

Fogazzas recém-fritas, música italiana e uma procissão pelas ruas do Bixiga vão marcar os 100 anos da tradicional Festa de Nossa Senhora Achiropita.

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A edição do centenário ocorre durante os cinco fins de semana de agosto e reúne gastronomia, devoção religiosa e uma parte da história dos imigrantes que ajudaram a formar o bairro paulistano.

Criada em 1926, a celebração chega à centésima edição com mais de mil voluntários, cerca de 30 pratos típicos e oito projetos sociais apoiados.

A programação começa em 1º de agosto e segue até o dia 30, ocupando principalmente as ruas Treze de Maio, São Vicente e Doutor Luís Barreto, na Bela Vista.

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Um século nas ruas

A festa nasceu de uma comunidade italiana instalada no Bixiga e ultrapassou gerações sem perder a combinação que a tornou conhecida: comida preparada por voluntários, boa música, encontros familiares e celebrações dentro (e fora) da igreja.

Com o passar do tempo, o evento deixou de reunir apenas descendentes de italianos. Moradores de outras regiões de São Paulo e visitantes passaram a dividir as mesas, as filas e as calçadas do bairro durante os fins de semana de agosto.

Na edição do centenário, a festa de rua terá mais de 35 barracas. O acesso ao percurso é gratuito, enquanto alimentos e bebidas são vendidos separadamente. Aos sábados, o funcionamento será das 17h às 23h. Aos domingos, as barracas recebem o público das 17h às 22h.

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Devoção proveniente da Calábria

Depois de chegar à região de Rossano, na Calábria, ele teria cumprido a promessa. A narrativa conta que um artista tentou pintar a imagem de Maria no santuário, mas o trabalho desaparecia durante a noite.

Em certa ocasião, uma mulher com uma criança no colo entrou no local. Quando o vigilante voltou, encontrou a imagem dos dois estampada onde a pintura deveria estar. A partir daí, ela recebeu o título de Achiropita, expressão associada a algo “não pintado por mãos humanas”.

Imigrantes calabreses trouxeram essa devoção em terras paulistas no fim do século 19. A data religiosa é celebrada em 15 de agosto, dia da Assunção de Nossa Senhora. Segundo a organização, a igreja do Bixiga é a única do Brasil dedicada a Maria sob esse título.

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Fogazza que divide o palco

A fogazza continua como uma das receitas mais procuradas. A massa frita, recheada com queijo, tomate e orégano, costuma formar algumas das maiores filas da noite.

Além dela, o cardápio reúne spaghetti, penne, polenta, fricazza, pizza, antepastos, sanduíches de calabresa e mortadela, cannoli, tiramisù, panna cotta e crustolli. Já o centenário acrescenta duas novidades: uma barraca de sanduíche de pernil e outra dedicada ao nhoque.

Quem prefere comer sentado pode seguir para a Cantina Madona Achiropita, instalada no pátio da paróquia. O espaço oferece mesas, pratos italianos e apresentações musicais, mas exige convite. A programação informa vendas pela plataforma Sympla.

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A cantina funciona aos sábados, das 19h à meia-noite, e aos domingos, das 18h às 23h. Também haverá uma noite extra na sexta-feira, 14 de agosto, das 19h à meia-noite.

Agenda do centenário

A cerimônia de abertura está marcada para 1º de agosto, às 15h, em um palco diante da igreja. Depois, a novena será realizada entre os dias 6 e 14.

A tradicional procissão acontece em 16 de agosto, às 15h. A imagem de Nossa Senhora percorrerá as principais ruas do Bixiga acompanhada por fiéis e integrantes da comunidade.

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Durante a festa, a igreja terá celebrações aos sábados, às 19h30, 20h30, 21h30 e 22h30. Aos domingos, os horários serão 20h30 e 21h30.

Por fim, o encerramento começará em 30 de agosto, às 21h30, na cantina. A imagem seguirá pelas ruas até chegar diante da igreja, onde uma homenagem está prevista para as 22h30.

Trabalho vira solidariedade

Mais de mil voluntários participam da preparação, das cozinhas, das barracas, do atendimento e da organização ao longo dos cinco fins de semana. Parte deles mantém uma ligação familiar com a festa e assume funções que já passaram por outras gerações.

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A renda arrecadada ajuda a manter e ampliar oito projetos sociais da comunidade. As iniciativas atuam em educação, assistência, capacitação e acolhimento de crianças, jovens, famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Como chegar

O centro da festa fica na Rua Treze de Maio, 478. A organização recomenda chegar de transporte público porque o trânsito costuma ficar mais carregado e as vagas de estacionamento são limitadas.

As estações Brigadeiro e Trianon-Masp, ambas da Linha 2-Verde, aparecem entre as referências indicadas pela organização. A Estação São Joaquim, da Linha 1-Azul, também permite seguir a pé até a região. O perímetro principal conta com rotas adaptadas para acessibilidade.

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Quando a última procissão retornar à igreja, em 30 de agosto, o centenário terá repetido um movimento conhecido no Bixiga: receitas, trabalho voluntário e devoção mudam de mãos, atravessam gerações e voltam a ocupar o mesmo conjunto de ruas.