Uma estudante de apenas 13 anos encontrou uma maneira inusitada de reaproveitar um material que normalmente vai para o lixo. Arika Kundu, de Minnesota, nos Estados Unidos, desenvolveu um método que usa cascas de amendoim para ajudar a remover resíduos de pesticidas de frutas e verduras frescas.
A ideia chamou a atenção de uma das principais competições científicas para estudantes do país. Agora, a jovem está entre os 10 finalistas do Desafio de Jovens Cientistas da 3M de 2026 e poderá disputar um prêmio de US$ 25 mil, cerca de R$ 100 mil.
O projeto ainda passará por novas etapas antes da decisão final. No entanto, a proposta já mostra como um resíduo agrícola pode ganhar uma nova função e, ao mesmo tempo, ajudar a enfrentar uma questão relacionada à segurança dos alimentos.
Como surgiu a ideia
Arika é aluna do sétimo ano da Escola de Ensino Fundamental Minnetonka East, em Shorewood, Minnesota. Seu projeto recebeu o nome de “LIGNEX – Uma nova abordagem baseada em biossorção que utiliza resíduos agrícolas para eliminar resíduos de pesticidas de produtos frescos”.
A estudante partiu de uma questão simples: mesmo depois da lavagem, frutas e verduras podem continuar apresentando resíduos de pesticidas em sua superfície. Por isso, ela buscou uma alternativa prática e acessível para reduzir ainda mais essas substâncias.
Em vez de recorrer a materiais caros, Arika decidiu investigar resíduos agrícolas. Assim, chegou às cascas de amendoim, que costumam ser descartadas após o processamento. A partir delas, desenvolveu um material capaz de reter resíduos de pesticidas presentes na superfície dos alimentos.
Casca de amendoim vira filtro
O método criado pela estudante utiliza um processo chamado biossorção. De maneira simplificada, alguns materiais naturais conseguem atrair e reter determinadas substâncias químicas, funcionando de forma semelhante a uma esponja que captura água.
No projeto de Arika, a casca de amendoim tratada atua como uma espécie de filtro natural. Quando entra em contato com produtos frescos, o material pode capturar resíduos de pesticidas presentes na superfície de frutas e verduras.
Além de buscar uma nova forma de reduzir esses resíduos, a proposta também dá uma segunda utilidade a um material que normalmente seria descartado. Dessa maneira, a inovação une reaproveitamento de resíduos agrícolas e uma possível aplicação na área de segurança alimentar.
Jovem disputa prêmio de US$ 25 mil
Como uma das 10 finalistas do Desafio de Jovens Cientistas da 3M, Arika trabalhará durante o verão com um cientista da 3M para aperfeiçoar sua ideia antes da etapa final, marcada para outubro.
A competição é organizada pela 3M e pela Discovery Education e está em sua 19ª edição. Voltada a estudantes do ensino fundamental II, a disputa procura reconhecer soluções científicas para problemas do mundo real.
A etapa decisiva ocorrerá nos dias 12 e 13 de outubro, no Centro de Inovação da 3M, em St. Paul, Minnesota. Os finalistas terão de apresentar seus projetos, participar de desafios ao vivo e responder às perguntas dos jurados.
Arika pode virar a ‘Melhor Jovem Cientista da América’
Arika explicou que decidiu participar justamente para aprimorar sua criação. “Participei do Desafio de Jovens Cientistas da 3M para aprimorar minha inovação e transformá-la em um produto do qual todos possam se beneficiar”, disse ela ao Young Scientist Lab.
Se vencer, a estudante levará US$ 25 mil e o título de “Melhor Jovem Cientista da América”. Além disso, ela já tem planos para o futuro e espera seguir uma carreira na ciência. “Daqui a 15 anos, espero ser uma astrobióloga, especificamente em biologia computacional”, afirmou.
Para Brian Shaw, CEO da Discovery Education, a trajetória dos finalistas mostra que a curiosidade científica pode surgir cedo. “Os finalistas do Desafio de Jovens Cientistas da 3M deste ano provam que você pode ser cientista em qualquer idade”, disse Shaw em comunicado oficial.
