Localizado em Jukkasjärvi, na Suécia, o IceHotel (hotel de gelo) não é apenas uma hospedagem, mas uma obra de arte viva que desafia a permanência.
Todos os anos, quando as temperaturas sobem, cerca de 500 toneladas de água escorrem para o Rio Torne, transformando paredes e tetos em gotas, apenas para que o ciclo recomece no inverno seguinte.
A origem: de uma galeria de arte a um hotel de gelo
A ideia surgiu com Yngve Bergqvist, inspirado em tradições japonesas de escultura no gelo. O projeto começou como um pequeno iglu de 60 m², o ARTic Hall, que funcionava como galeria de arte.
A transição para hotel ocorreu de forma orgânica: após um grupo pedir para passar a noite no local — equipados apenas com sacos de dormir e peles de rena —, o potencial turístico da estrutura efêmera foi revelado.
Engenharia e arte sob temperaturas extremas
A construção do IceHotel é um esforço monumental que dura o ano todo:
- Material: são utilizados cerca de 5 mil quilos de gelo retirados do Rio Torne, além de molduras metálicas para a sustentação;
- Trabalho braçal: cerca de 70 pessoas trabalham na montagem, enfrentando temperaturas externas que podem variar entre -25ºC e -40ºC;
- Design exclusivo: cada suíte é projetada por um artista diferente, garantindo que o estilo do hotel nunca seja o mesmo. Para esculpir os detalhes, são usadas desde serras elétricas até ferros de passar roupas.
Também na Suécia existe um hotel que abriga quartos abaixo d’água.
Por que ele derrete?
A filosofia por trás do IceHotel é a efemeridade. Assim como templos japoneses que são reconstruídos periodicamente, o hotel abraça a impermanência para se reinventar anualmente.
No interior das suítes, a temperatura é mantida em constantes -8°C, criando um ambiente imersivo e único.
Para quem deseja conhecer, o hotel fica aberto ao público geralmente de dezembro a abril, período em que o sol começa a retomar seu espaço e a estrutura inicia seu processo natural de retorno ao rio.





