No final do século XIX, a Câmara Legislativa do Estado de São Paulo, pressionada pelos fazendeiros de café, começou a debater uma lei para incentivar a imigração em substituição à mão de obra escravizada.
Durante os debates, o deputado J.L. de Almeida argumentou que seria mais vantajoso incentivar a imigração de mão de obra chinesa. Ele justificou que a China enfrentava uma grande crise alimentar, com milhões de pessoas morrendo de fome e dispostas a trabalhar por comida.
O deputado Martinho Prado (ex-marido de dona Veridiana Prado) foi veementemente contrário à ideia. Ele argumentou que não era mais possível admitir a escravização de uma nova etnia no Brasil. Para ele, lucrar com a fome seria incentivar a escravidão, prática ainda presente no País.
Experiências anteriores com imigração chinesa
O Brasil já havia tido uma experiência com imigração chinesa em 1808, quando o rei Dom João VI trouxe 400 chineses da colônia portuguesa de Macau. Eles foram destinados ao cultivo de chá no Jardim Botânico.
A experiência fracassou, os chineses retornaram à China, mas o cultivo do chá chegou a São Paulo, originando o nome Viaduto do Chá.
O impacto do escravagismo na economia paulista
São Paulo já enfrentava barreiras comerciais para exportar café devido ao escravagismo. Essas restrições geravam prejuízos crescentes, enquanto movimentos abolicionistas pressionavam para que as leis contra a escravidão fossem cumpridas.
Figuras como Luiz Gama e Antônio Bento desempenhavam papéis importantes nesse cenário.
O crescimento das exportações de café aumentava a demanda por trabalhadores nos cafezais. Contudo, a mão de obra escravizada oriunda do Nordeste estava diminuindo, e a promulgação da Lei Áurea se aproximava.
Temendo perder competitividade, os barões do café transferiram a responsabilidade de seus prejuízos para o Estado.
Incentivos à imigração europeia
Em 1878, enquanto a Lei Áurea ainda era protelada, a cidade de São Paulo criou uma lei que aumentava os impostos sobre a posse de pessoas escravizadas. Pouco depois, o Estado começou a oferecer incentivos para atrair imigrantes europeus.
A imigração foi tão intensa que, em 1920, 59% dos habitantes de São Paulo eram imigrantes.
Entre 1870 e 1920, cerca de 1,4 milhão de italianos entraram no Brasil, representando 43% do total de imigrantes. Por essa razão, muitos brasileiros têm direito à cidadania italiana.
A imigração europeia foi essencial para a formação de bairros como Brás, Barra Funda, Bixiga, Mooca e Osasco. Esses bairros nasceram do crescimento industrial e da chegada em massa de imigrantes.
A chegada de outros povos
Quando a Itália proibiu a imigração subsidiada, em 1908, o Brasil selou um acordo para incentivar a imigração japonesa.
A partir da chegada do navio Kasato Maru, em Santos, a comunidade japonesa começou a crescer no país. Entre 1917 e 1940, chegaram mais de 164 mil japoneses, dos quais 75% se estabeleceram em São Paulo.
Em 1912, surgiu a “Rua dos Japoneses” no bairro da Liberdade. Assim como a colônia italiana, São Paulo passou a abrigar a maior comunidade japonesa fora do Japão.
A influência da imigração chinesa
Entre 1927 e 1950, a Guerra Civil Chinesa e a fome geraram um novo fluxo de imigração chinesa para o Brasil. Dessa vez, foi um movimento espontâneo e não incentivado pelo Estado.
Embora não tenha sido suficiente para criar bairros essencialmente chineses, essa imigração trouxe transformações culturais, especialmente na gastronomia, com pratos como frango xadrez e yakisoba.
Dessa onda de imigrantes, destacou-se Chu Ming Silveira, arquiteta famosa pela concepção dos protetores telefônicos, popularmente conhecidos como “orelhões”.
Imigração chinesa no século XXI
Um século depois, a imigração chinesa se espalhou pelo centro de São Paulo. Segundo o Observatório das Metrópoles (UFRJ), há mais de 12 mil chineses de primeira geração vivendo no centro da cidade.
Além disso, mais de 130 mil chineses e seus descendentes residem em São Paulo.
