Jogo de computador pode ajudar a prevenir Alzheimer e demência na velhice; mas efeito curioso pode aparecer só em homens

Cientistas acreditam que exercícios mentais podem ajudar o cérebro antes dos primeiros sintomas da doença, embora ainda sejam necessários novos estudos

Pesquisa identifica, pela primeira vez, uma mudança em um marcador ligado ao Alzheimer após um treinamento cognitivo, mas o efeito apareceu apenas em homens (Foto: Freepik)

Pesquisa identifica, pela primeira vez, uma mudança em um marcador ligado ao Alzheimer após um treinamento cognitivo, mas o efeito apareceu apenas em homens (Foto: Freepik)

Um jogo de computador que parece simples pode esconder uma estratégia promissora contra o envelhecimento cerebral. Uma pesquisa apresentada recentemente sugere que um treinamento de velocidade mental pode alterar um marcador ligado ao Alzheimer em homens idosos.

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O estudo indica que o exercício cognitivo pode estimular o cérebro a eliminar uma forma da proteína beta-amiloide, associada à formação de placas no cérebro de pessoas com Alzheimer. No entanto, os resultados ainda são iniciais e precisam ser confirmados.

A pesquisa foi apresentada por Hye Won Chai, da Universidade Clemson, durante a Alzheimer’s Association International Conference (AAIC) 2026, em Londres.

Jogo estimula memória e velocidade de raciocínio

O treinamento analisado pelos pesquisadores é um jogo digital criado para desenvolver a velocidade de processamento mental. Durante a atividade, os participantes precisam lembrar rapidamente onde objetos aparecem na tela, enquanto o nível de dificuldade aumenta conforme o desempenho melhora.

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A técnica já vinha sendo estudada há anos. Uma pesquisa anterior, acompanhada durante duas décadas por pesquisadores da área, indicou que pessoas com 65 anos ou mais que fizeram esse tipo de treinamento tiveram 25% menos risco de desenvolver Alzheimer ou outras formas de demência.

Agora, os cientistas buscaram entender o que poderia explicar esse possível efeito protetor. Para isso, analisaram alterações biológicas no organismo dos participantes antes e depois da realização dos exercícios cognitivos.

Estudo analisou sangue de idosos participantes

A nova investigação acompanhou 53 pessoas com 65 anos ou mais nos Estados Unidos. Do grupo, 13 eram homens. Cerca de um terço dos voluntários realizou entre duas e quatro horas semanais do treinamento de velocidade durante quatro meses e meio.

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Os demais participantes foram divididos em outros grupos: um realizou jogos tradicionais, como paciência e caça-palavras, enquanto outro fez um treinamento diferente, que exigia estratégia e alternância entre tarefas.

Ao comparar amostras de sangue coletadas no início e no fim do estudo, os pesquisadores encontraram uma mudança entre os homens que fizeram o treino de velocidade. O resultado apontou uma alteração na relação entre duas formas da proteína beta-amiloide.

Segundo Hye Won Chai, em entrevista à NewScientist, “um dos principais marcadores que indicam o risco futuro de demência melhorou para os homens que completaram o treinamento cognitivo de velocidade.”

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Efeito pode acontecer de forma diferente em mulheres

A beta-amiloide é uma proteína que pode se acumular no cérebro e formar placas associadas ao Alzheimer. Esses depósitos prejudicam o funcionamento dos neurônios e estão relacionados ao avanço da perda de memória e outras funções cognitivas.

No estudo, os pesquisadores interpretaram a mudança encontrada nos homens como um possível sinal de que o treinamento ajudou o organismo a remover a beta-amiloide 42, uma das formas da proteína ligada à doença.

A descoberta chamou a atenção de outros especialistas. Sasha Novozhilova, da Universidade McGill, afirmou que o resultado é relevante porque reforça evidências anteriores sobre a relação entre treinamento cognitivo e redução do risco de demência.

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“É uma descoberta realmente interessante. Ela definitivamente fortalece o que eles já haviam mostrado anteriormente com a redução da demência”, disse a pesquisadora.

Resultados ainda precisam ser confirmados

Apesar do avanço, os cientistas destacam que o estudo tem limitações. O número de participantes foi pequeno, especialmente entre os homens, e a pesquisa ainda precisa ser repetida com grupos maiores e mais variados.

Outro ponto que chamou atenção foi a ausência do mesmo efeito nas mulheres participantes. Para Chai, isso pode indicar que homens e mulheres se beneficiam do treinamento cognitivo por caminhos biológicos diferentes.

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Especialistas também observam que tratamentos atuais contra o Alzheimer que atuam sobre a beta-amiloide costumam apresentar benefícios limitados quando aplicados em fases mais avançadas da doença. Por isso, estratégias preventivas podem ter um papel importante no futuro.

A equipe pretende investigar melhor como o treinamento influencia o cérebro feminino e quais mecanismos estão envolvidos. Até que novos estudos sejam publicados, a descoberta serve como mais uma evidência de que manter o cérebro ativo pode ser uma peça importante no envelhecimento saudável.