Maior montanha do Brasil tem 3 mil metros de altitude, registra 0º e é habitada

Localizado no Amazonas, o Pico da Neblina reúne clima extremo, biodiversidade única e comunidades indígenas que consideram a área sagrada

No coração da floresta amazônica, o Pico da Neblina combina trilha desafiadora, temperaturas baixas e presença humana tradicional

No coração da floresta amazônica, o Pico da Neblina combina trilha desafiadora, temperaturas baixas e presença humana tradicional | Força Aérea do Brasil/Wikimedia Commons

Até hoje, existe uma crença muito forte de que não há montanhas no Brasil. O que pouca gente sabe é que elas não só existem como o ponto mais alto do País fica em uma.

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Trata-se do Pico da Neblina, localizado na Serra do Imeri, no estado do Amazonas, dentro do Parque Nacional do Pico da Neblina.

Esse parque é um dos destinos naturais mais preservados da Amazônia e convida os visitantes a explorar florestas intocadas e biodiversidade única.

Segundo o IBGE, a montanha tem exatos 2.995,30 metros acima do nível do mar. Só de ler a altura, já pode deixar muita gente enjoada, mas ainda há quem se aventure até o pico do local.

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O que tem por lá?

Como o nome já diz, o Pico da Neblina possui uma densa névoa, mas as temperaturas variam bastante, assim como na cidade mais alta do Brasil. Enquanto a base, na floresta, é quente, com média de 25ºC, a parte mais alta varia entre 0ºC e 6ºC.

Mas não é só o frio que marca o Pico da Neblina. Tanto no cume quanto na base, a região é cercada por biodiversidade, com várias espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo.

Por lá, é possível encontrar lagartos, sapos, macacos, antas, tatus-gigantes e centenas de aves.

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A vegetação também chama atenção. O cenário constante de neblina em meio à floresta abriga musgos, bromélias gigantes, orquídeas raras e plantas carnívoras.

E não para por aí. Por ser um local de difícil acesso, expedições científicas continuam descobrindo novas espécies de animais e plantas na região todos os anos.

Moradores da região

Os indígenas da etnia Yanomami vivem na região do Pico da Neblina, que eles chamam de Yaripo e consideram um lugar sagrado.

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De acordo com a tradição desse povo, espíritos ancestrais habitam o local. Eles dançam em espelhos de luz para proteger a floresta, manter o equilíbrio da vida e impedir que o céu caia sobre a Terra.

Essa forma de enxergar a montanha muda a experiência de quem decide encarar a subida.

Aos poucos, a caminhada deixa de ser apenas um desafio físico e passa a ser também uma experiência cultural, com reflexões sobre a importância de respeitar a floresta e os povos que vivem nela.

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Visitação controlada

Atualmente, o Parque Nacional do Pico da Neblina recebe visitantes, mas sob regras rígidas. A entrada depende de autorização de órgãos ambientais e do aval das comunidades indígenas.

Além disso, o planejamento deve ser feito com antecedência. A presença de guias Yanomami credenciados é obrigatória durante todo o percurso.

O governo federal também limita o número de expedições anuais. A medida busca proteger o território indígena e conservar a biodiversidade da região.

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Desafios da floresta

Segundo a agência de turismo PlanetaEXO, o trajeto soma cerca de 35 km entre o primeiro acampamento base e o topo.

No total, a jornada costuma levar cerca de seis dias de caminhada, desde a partida até o momento de alcançar o cume. O percurso inclui floresta densa, com subidas íngremes e trechos escorregadios.

Por causa da duração e das condições do terreno, a trilha está entre as mais exigentes do país.

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Por isso, a aventura é indicada apenas para pessoas com experiência em travessias longas e difíceis. Também é essencial estar preparado para ambientes isolados, úmidos e com infraestrutura bastante limitada.

Para quem gosta de natureza e trilhas, há opções também em outras regiões do Brasil, como apontado em listas de pontos culminantes e rotas de montanhismo pelo País.