Pesquisar alguns assuntos no Google pode te levar à prisão? Descubra!

Advogada esclarece se há ou não termos proibidos para pesquisar no Google

Alguns termos de pesquisas podem levantar suspeitas em casos específicos

Alguns termos de pesquisas podem levantar suspeitas em casos específicos | Foto gratuita no Pixabay

Nos últimos dias, a notícia de que uma mulher presa por suspeita de envenenar um bolo no Rio Grande do Sul pesquisou arsênio na internet foi destaque em diversos sites, o que fez com que muita gente se perguntasse: pesquisar alguns assuntos no Google pode te levar à prisão?

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Segundo a advogada Beatriz Alaia Colin, do escritório Wilton Gomes Advogados, especialista em Direito Penal e Processo Penal Nacional e Europeu, as pesquisas no Google são protegidas por sigilo e privacidade, a menos que haja uma ordem judicial para investigá-las, como no caso do bolo envenenado.

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Por outro lado, diz a advogada, alguns termos podem levantar suspeitas em casos específicos, a exemplo de busca por informações sobre como fabricar explosivos, adquirir armas ilegais, realizar crimes cibernéticos, pornografia infantil, terrorismo, entre outros.

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O que acontece ao pesquisar algo ilegal no Google

A Constituição Federal garante o direito à privacidade e o sigilo das comunicações. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também reforça a proteção dos dados pessoais, incluindo o histórico de pesquisas.

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Dessa forma, para acessar os dados de alguém, a polícia precisa de um mandado judicial, baseado em indícios e provas de que a pessoa está envolvida em atividades ilegais.

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“Não há um monitoramento em tempo real das pesquisas realizadas na internet. Em geral, esse encontro de informações é feito à posteriori, a partir de um mandado judicial”, explica Beatriz.

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De acordo com a advogada, é durante a busca e apreensão, que a polícia acaba por localizar, no histórico de buscas do aparelho eletrônico, pesquisas que podem ser relacionadas ao cometimento de crimes, como pornografia infantil, compra/venda de órgãos, entre outros.

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“Esse encontro, ainda que posteriormente, pode servir para justificar outras medidas cautelares (quebra de sigilos, interceptações telefônicas, etc.) e dar continuidade a uma investigação policial”, diz a profissional.

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Em geral, acrescenta Beatriz, as autoridades policiais chegam a essas pessoas por meio de outras investigações. Para exemplificar, ela cita um caso hipotético.

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“Vamos supor que a Polícia Federal está investigando uma venda de órgãos através da deep web e consegue identificar um número de IP. Pelo número de IP, eles podem acabar localizando outros e outros, cujos usuários podem ter relação com o tráfico de órgãos.”

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Países em que as pesquisas são monitoradas

A profissional ressalta que a simples pesquisa por termos ilegais não é crime no Brasil, visto que as autoridades precisam de provas concretas de que a pessoa está envolvida em atividades ilícitas para iniciar uma investigação.

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Porém, isso não acontece em todos os países. Na China, Rússia, Venezuela, entre outros, a pesquisa de alguns termos pode gerar problemas.

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“Em países com regimes autoritários e leis que restringem a liberdade de expressão, a pesquisa por termos considerados “subversivos” ou “perigosos” pode, sim, gerar investigação e perseguição”, comenta Beatriz.

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Até nos Estados Unidos, onde a questão do terrorismo é observada com máxima atenção, algumas pesquisas podem trazer consequências.

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Segundo a imprensa internacional, em 2013, por exemplo, a polícia bateu à porta de um homem em Long Island porque ele pesquisou os termos “mochila” e “panela de pressão” juntos, o que seria um indício da intenção de fabricar uma bomba.  

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Atividades ilegais na internet que podem levar à prisão

Ainda que as pesquisas não sejam monitoradas no Brasil e só sejam observadas após o início de uma investigação, vale lembrar que a internet não é um território sem lei. Há atividades feitas online que podem levar alguém a ter problemas na Justiça, são elas:

  • Compartilhamento de conteúdo ilegal, como pornografia infantil, discurso de ódio e incitação à violência;
  • Crimes cibernéticos, como invasão de sistemas, roubo de dados, fraudes online;
  • Cyberbullying: assédio, difamação e ameaças online;
  • Plágio: reprodução indevida de conteúdo protegido por direitos autorais.