O que os animais fazem no inverno? Veja como onças, macacos, baleias e aves mudam a rotina para sobreviver

Especialistas explicam como diferentes espécies alteram hábitos de alimentação, caça, deslocamento e reprodução para enfrentar a estação e destacam a importância da conservação dos ecossistemas

Onça/ Foto: Divulgação/Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN)

Foto: Divulgação/Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN)

Quando o inverno chega ao Brasil, a natureza também se adapta ao frio. Predadores reorganizam seus horários de caça para aproveitar melhor as temperaturas, onças ampliam seus deslocamentos em busca de alimento e aves percorrem longas distâncias em busca de melhores condições. 

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Essas táticas de sobrevivência mostram a incrível capacidade de adaptação das espécies, mas também colocam em evidência a necessidade urgente de preservar os ecossistemas terrestres e marinhos.

Por que falar de conservação?

Embora o inverno brasileiro seja menos rigoroso do que em países de clima temperado, a redução das temperaturas, as mudanças na duração dos dias e a menor disponibilidade de alimento são suficientes para alterar a rotina da fauna. No entanto, para ter sucesso durante essas adaptações, os animais dependem diretamente da integridade dos ambientes onde elas ocorrem.

“Essas adaptações fazem parte dos ciclos naturais da biodiversidade brasileira, elas dependem da conservação dos ambientes onde ocorrem. Áreas naturais preservadas garantem corredores para migração, oferta de alimento, locais de reprodução e condições para que esses processos continuem ocorrendo ano após ano.” explica Emerson Oliveira, gerente de conservação da biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

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Mudanças de Hábitos ocorrem tanto na Mata Atlântica quanto no Pantanal

Estudos realizados na Mata Atlântica mostram que espécies predominantemente noturnas concentram suas atividades na primeira metade da noite durante o inverno, evitando os períodos de frio mais intenso. Já animais de hábito diurno, como a cutia (Dasyprocta azarae), a irara (Eira barbara) e o gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), aproveitam os momentos mais quentes do dia para buscar alimento.

Segundo Roberto Fusco, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e coordenador do Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, essas mudanças refletem a capacidade da fauna de responder às transformações naturais do ambiente.

“As baixas temperaturas durante o inverno podem afetar a disponibilidade de recursos e, consequentemente, o comportamento de algumas espécies. As onças, por exemplo, podem se movimentar mais durante o inverno, já que os recursos ficam menos disponíveis e elas precisam buscá-los mais ativamente. Outros predadores como o mão-pelada (Procyon cancrivorus) e o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) passam a se alimentar mais de roedores durante a estação”, explica.

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O inverno também altera a rotina no Pantanal, onde a estação coincide com o período seco. A redução no volume de rios e lagoas concentra as presas em poucos pontos de água, favorecendo as emboscadas da onça-pintada. 

Quando o desmatamento e a caça ilegal fragmentam as florestas e áreas úmidas, animais que precisam caminhar maiores distâncias ficam acuados, aumentando a vulnerabilidade de suas populações.

Céus e mares também são afetados pelas mudanças 

No ar, espécies como o suiriri (Tyrannus melancholicus) e o andorinhão-do-temporal (Chaetura meridionalis) deixam as regiões Sul e Sudeste em direção a áreas mais quentes do país. Com menos insetos disponíveis, muitas aves percorrem distâncias maiores para encontrar alimento ou formam bandos mistos para melhorar a busca por recursos e aumentar a proteção contra predadores. 

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A jacutinga (Aburria jacutinga), historicamente, realizava movimentos sazonais entre áreas serranas e regiões mais baixas da Mata Atlântica, um comportamento que hoje se encontra gravemente limitado pela perda de habitat causada pelo desmatamento e pela caça.

Nos mares, ocorre uma das migrações mais impressionantes da biodiversidade. Entre junho e novembro, as baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) deixam a Antártica e percorrem cerca de nove mil quilômetros até a costa brasileira para se reproduzir, dar à luz e amamentar seus filhotes, tendo o Banco dos Abrolhos, no sul da Bahia, como principal berçário no Atlântico Sul.

Oceanos estão cada vez mais ameaçados

Para que a vida marinha continue a prosperar, a proteção dos oceanos também é indispensável. Organizações ambientais como a Oceana destacam a urgência de aprovação e cumprimento da legislação de proteção da pesca industrial e o combate à pesca de arrasto, uma prática altamente destrutiva que varre o fundo do mar, destruindo habitats essenciais e capturando indiscriminadamente diversas espécies marinhas não-alvo.

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Garantir a preservação da fauna brasileira exige combater o desmatamento, proibir a caça ilegal e implementar leis de pesca sustentáveis. Somente garantindo corredores ecológicos protegidos na terra e no mar é que as espécies continuarão a superar as exigências do inverno e a manter vivos os ciclos da natureza.

Como apoiar ativamente a preservação ambiental

Para que a vida marinha e terrestre continue prosperando, o combate ao desmatamento e à caça ilegal precisa andar lado a lado com leis modernas e engajamento social. No Congresso Nacional, avanços regulatórios essenciais estão em pauta: o Projeto de Lei 4789/2024, conhecido como a Nova Lei da Pesca, atualiza a legislação de 2009 para estabelecer uma gestão sustentável, participativa e ecossistêmica das águas brasileiras, separando a pesca da aquicultura e garantindo direitos e segurança para os pescadores.

Na frente de combate à contaminação marinha, a campanha Pare o Tsunami de Plástico, liderada pela Oceana Brasil junto a dezenas de organizações, pressiona pela aprovação do PL 2524/2022, que cria a Economia Circular do Plástico para conter o despejo de centenas de milhões de quilos de resíduos no mar todos os anos. Uma das formas mais diretas de apoiar essa causa é assinar o abaixo-assinado oficial da iniciativa no site https://pareotsunamideplastico.org/ .

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Além do apoio a projetos de lei e assinaturas de petições, a preservação ambiental depende de ações práticas no cotidiano. Confira outras maneiras eficientes de colaborar ativamente com a proteção da biodiversidade:

  1. Praticar o consumo consciente de frutos do mar: Consumir apenas peixes e frutos do mar de época e oriundos de fontes sustentáveis ou da pesca artesanal, respeitando rigorosamente os períodos de defeso para reprodução das espécies.
  2. Reduzir drasticamente o plástico de uso único: Substituir embalagens, sacolas, garrafas e copos descartáveis por opções reutilizáveis, cortando na fonte o volume de lixo que vai parar nos rios e oceanos.
  3. Apoiar projetos e Unidades de Conservação: Colaborar financeiramente, como voluntário ou divulgando o trabalho de ONGs e institutos de pesquisa que atuam na recuperação de habitats e na proteção de espécies ameaçadas.
  4. Praticar o turismo responsável: Ao visitar parques nacionais, reservas ecológicas ou áreas praianas, respeitar as trilhas demarcadas, não alimentar ou aproximar-se da fauna silvestre e recolher todo o lixo produzido.
  5. Denunciar crimes ambientais: Notificar órgãos competentes (como o IBAMA ou secretarias ambientais locais) ao presenciar atividades de caça ilegal, pesca desordenada no período de defeso, desmatamento não autorizado ou tráfico de animais silvestres.

Garantir a preservação da fauna brasileira exige combater o desmatamento, proibir a caça ilegal e implementar leis de pesca e gestão de resíduos realmente sustentáveis. Somente garantindo corredores ecológicos protegidos na terra e no mar é que as espécies continuarão a superar as exigências do inverno e a manter vivos os ciclos da natureza.