Quer casar, mas não de uma forma “chata”? Celebrações fora do padrão são tendência nos dias de hoje

Longe dos altares tradicionais e das cartilhas de etiqueta engessadas, podemos curtir celebrações que contem nossas próprias histórias.

Casamentos não precisam seguir regras/ Foto: Breno Cardoso/ Pexels

Casamentos não precisam seguir regras/ Foto: Breno Cardoso/ Pexels

Eu sempre fui fissurada por casamento. Não a parte religiosa, até porque não sigo nenhum dogma específico, mas amo a ideia do vestido bonito, de uma festa épica e claro: prometer passar o resto da vida com minha alma gêmea. 

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Sou romântica idealizadora desde sempre, e muitas mulheres mais velhas me alertavam sobre os perigos de me perder dentro de um casamento, mas a nossa geração ressignificou bastante a ideia do matrimônio; o que antes era usado como transação comercial, de poder ou posse, para muitos de nós se tornou uma celebração genuína do amor a dois.

Infelizmente muitas pessoas ainda se apegam a conceitos antiquados e patriarcais, mas quando você trabalha sua individualidade independente de relacionamento e encontra um parceiro (ou parceira) disposto a balancear as obrigações de verdade, essa parceria pode tomar outras formas.

Longe dos altares tradicionais e das cartilhas de etiqueta engessadas, podemos curtir celebrações que contem nossas próprias histórias.

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Qual a origem do casamento?

Historicamente, o amor romântico é um conceito muito recente quando pensamos em matrimônio. Na Antiguidade, entre gregos, romanos e egípcios, o casamento operava essencialmente como um contrato jurídico e comercial. Tratava-se de transferir a propriedade da mulher da tutela do pai para a do marido, selar alianças políticas entre clãs e garantir a legitimidade da transmissão de heranças.

A Igreja Católica levou séculos para reivindicar a jurisdição sacramental sobre a união. Foi apenas no século 16, com o Concílio de Trento, que o casamento religioso se tornou obrigatório e rigidamente codificado na Europa ocidental

O afeto mútuo só começou a ser considerado o motor principal das uniões a partir do final do século 18, com o advento do Iluminismo e do Romantismo, que colocaram os sentimentos individuais no centro das escolhas humanas.

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E no Brasil?

No Brasil, a hegemonia do modelo tradicional católico moldou a sociedade por séculos. Durante o período colonial e o Império, o casamento católico era o único juridicamente válido. A virada histórica ocorreu em 1890, logo após a Proclamação da República (1889), quando foi instituído o casamento civil, retirando os efeitos jurídicos automáticos das cerimônias religiosas.

Quase um século depois, a Lei do Divórcio (1977) quebrou a indissolubilidade da união, pavimentando o caminho para novos arranjos familiares. Nos últimos anos, o país testemunhou uma aceleração dessa abertura. A aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2013 expandiu formalmente o conceito de família. 

Hoje, o brasileiro enxerga o casamento não como um rito de passagem obrigatório ditado por uma instituição, mas como uma escolha eletiva e profundamente moldável.

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Celebrar não precisa seguir receita de bolo 

Para quem deseja celebrar a união sem depender de contextos religiosos como eu, o mercado e o direito brasileiro oferecem um cardápio vasto de possibilidades. A busca por ritos que façam sentido para a visão de mundo particular de cada casal fez explodir a procura por formatos alternativos:

  • Casamento Civil com Efeito Religioso: Permite que a cerimônia com validade jurídica ocorra diretamente no local da festa (campo, praia ou salão), conduzida por um juiz de paz ou por um celebrante habilitado.
  • Celebrantes Profissionais e Contadores de Histórias: Profissionais agnósticos ou ecumênicos que realizam entrevistas profundas com os noivos para criar roteiros inteiramente personalizados, focando na filosofia do casal e na trajetória real do relacionamento.
  • Ritos Simbólicos Compartilhados: Cerimônias como a das Areias (onde cores diferentes se misturam), do Vinho ou o plantio de uma árvore durante o evento, trazendo solenidade sem recorrer a dogmas religiosos.

Celebração também pode ser mais dinâmica 

A liberdade comportamental também mudou as regras rígidas de etiqueta que antes ditavam o ritmo das festas. Não tem problema nenhum manter ritos tradicionais, assim como uma celebração mais descontraída não é motivo de vergonha, mesmo que provavelmente tenham parentes que falem mal das suas escolhas sim. Algumas decisões legais que casais mais descontraídos têm tomado incluem: 

Cerimônias Vapt-Vupt: Esqueça aqueles discursos intermináveis de uma hora e meia sob um sol escaldante ou em pé na igreja. Uma cerimônia direta ao ponto, com duração máxima de 30 a 40 minutos, mantém a energia lá no alto e faz a transição perfeita para o que todo mundo quer: a festa. No meu dia, pretendo já ter casado no cartório e apenas ter um celebrante ou um ente querido discursando de forma simbólica. 

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Cortejo livre: A ordem tradicional de entrada dá lugar a entradas conjuntas do casal, noivos entrando sozinhos, com os filhos ou com os animais de estimação.

Atrações inusitadas na pista: Quem disse que festa de casamento só tem DJ ou banda de pop/rock? Eu quero trazer um robô de LED gigante como o Megatron no meio da pista, fazer batalhas de dança ou apostar em fliperamas liberados.

Lembrancinhas com utilidade: Chega de chinelos que arrebentam no dia seguinte ou enfeites que acumulam poeira. A tendência é apostar em presentes personalizados que durem e que os convidados usem na sua rotina, como canecas térmicas, mudas de plantas reais, velas aromáticas ou ecobags estilosas.

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Dress code confortável e sem protocolos aborrecidos: Eu vou fazer questão do social e do vestido glamouroso, mas também muitos noivos têm preferido um dress code de tênis e tecidos leves. Além disso, a tradicional rodada de cumprimentos de mesa em mesa dá lugar a recepções dinâmicas, onde os noivos aproveitam a pista de dança desde o primeiro minuto (essa eu vou querer).

O fim da estética padrão

Essa busca por autenticidade se reflete diretamente na estética dos eventos. Por quase uma década, o planejamento de um casamento começava obrigatoriamente no Pinterest. No entanto, o excesso de referências digitais acabou gerando uma homogeneização: celebrações com as mesmas paletas, composições e elementos visuais, tornando difícil identificar quem são os noivos.

Agora, esse comportamento muda drasticamente. Os casais começam a deixar as referências prontas de lado em busca de uma identidade visual que narre suas próprias trajetórias. De acordo com Ana P. Kioshima, CEO e diretora criativa do Studio Exageradah, estúdio brasileiro especializado em wedding branding, a busca por personalidade passou a ter mais peso do que as tendências do momento.

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“Percebemos que muitos noivos chegam até nós justamente querendo fugir da sensação de que todos os casamentos estão parecidos. Eles ainda pesquisam referências, mas querem que o resultado final tenha a cara deles, e não a do algoritmo”, explica Ana. Para ela, a exclusividade não está em fazer algo extravagante, mas em criar um projeto que faça sentido para aquele casal e que não possa ser simplesmente reproduzido em outro casamento.

O que é Wedding Branding?

Esse movimento fortalece o wedding branding, metodologia que transforma toda a comunicação do casamento em uma extensão da história do casal. Cores, tipografia, ilustrações, materiais e experiências são pensados de forma integrada para transmitir quem são os noivos e o que desejam que os convidados vivenciem.

Essa mudança também altera a forma como os casais distribuem seus investimentos. Em vez de concentrar esforços apenas na decoração tradicional, muitos passam a valorizar uma identidade visual consistente. “O casamento mais marcante não é necessariamente o que segue a maior tendência do momento, mas aquele que consegue transmitir a essência do casal em cada detalhe”, pontua Kioshima.

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Para quem está começando a organizar a celebração, a recomendação da especialista é olhar primeiro para a própria história: fotografias antigas, viagens, músicas e objetos afetivos, antes de abrir qualquer painel de inspirações na internet. É nessas memórias compartilhadas que reside o repertório mais autêntico para a construção de um casamento inesquecível.