Repelente atrai mosquito? Estudo acende alerta para quem vai viajar

Pesquisadores descobrem que mosquitos podem associar o cheiro do DEET a "banquetes". Entenda o risco e como se proteger no verão

Cientistas descobriram que, ao perder a força, o cheiro do produto serve de "sinal verde" para os insetos. Mantenha a proteção em alta e reaplique sempre antes do efeito acabar. (Foto: Freepik)

Cientistas descobriram que, ao perder a força, o cheiro do produto serve de "sinal verde" para os insetos. Mantenha a proteção em alta e reaplique sempre antes do efeito acabar. (Foto: Freepik)

A cena é clássica de qualquer viagem de férias ou fim de semana no campo: basta o sol começar a se pôr para o “zum-zum-zum” dos mosquitos anunciar que a temporada de caça começou. Instintivamente, a primeira reação de quase todo mundo é pegar o frasco de repelente e se cobrir com uma nuvem de spray protetor.

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Mas e se aquele aroma característico que você usa para espantar os insetos estivesse, na verdade, servindo como um convite para o jantar?

Um estudo recente publicado no renomado Journal of Experimental Biology acendeu um alerta inesperado entre cientistas e viajantes.

Em testes de laboratório, pesquisadores demonstraram que os mosquitos possuem uma capacidade surpreendente de aprendizado e podem passar a ver o principal componente dos repelentes mais famosos do mercado como um sinal de que o banquete está servido.

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O experimento: como os mosquitos “compraram” o cheiro do DEET

O grande vilão (ou herói incompreendido) dessa história é o DEET, o ingrediente ativo mais utilizado no mundo para formular sprays contra insetos.

Até então, o consenso científico era de que o composto funcionava de forma puramente química: ou ele era tóxico e desagradável o suficiente para forçar o recuo do inseto, ou simplesmente bloqueava os receptores que os mosquitos usam para farejar o calor e o suor humano.

Para testar os limites do comportamento desses animais, uma equipe internacional de cientistas trabalhou com o Aedes aegypti — espécie famosa por transmitir vírus perigosos como os da dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

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O processo de “treinamento” dos insetos funcionou em etapas simples, mas com resultados impressionantes:

  • A recompensa: Os pesquisadores ofereceram bolsas de sangue aquecido de ovelha para os mosquitos por períodos curtos de 30 segundos.
  • O gatilho: Nos últimos 10 segundos de cada refeição, os cientistas borrifavam uma quantidade de DEET no ambiente.
  • O resultado: Após repetirem o processo apenas quatro vezes, mais de 60% dos mosquitos passaram a voar ativamente em direção ao cheiro do repelente, tentando alcançar o sangue.

Para levar o teste a um cenário ainda mais real, a pesquisadora Ayelén Nally, coautora do estudo, ofereceu as próprias mãos para os insetos treinados. O resultado assustou: a maioria esmagadora dos mosquitos avançou justamente na mão que estava coberta de repelente.

O perigo mora na hora em que o produto perde a força

Apesar de o resultado parecer saído de um filme de ficção científica, os especialistas fazem questão de acalmar os viajantes. O estudo não significa que você deve jogar seu spray no lixo antes de embarcar para o seu próximo destino de ecoturismo ou praia.

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O ponto crítico descoberto pelos cientistas está no momento em que a eficácia do produto começa a cair na pele.

No início da aplicação, a alta concentração de DEET ainda é uma barreira intransponível e altamente desagradável para o olfato dos insetos. O problema real acontece quando o repelente começa a evaporar e perder o efeito.

Se um mosquito conseguir picar você justamente nessa janela de transição — quando o cheiro do DEET ainda está presente, mas já não tem força para repelir —, ele pode fazer a associação cognitiva de que aquele odor fraco significa “comida disponível”.

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Como os mosquitos são vetores de doenças que causam mais de um milhão de mortes anualmente no planeta, falhar na proteção não é uma opção aceitável.