Mesmo com mais informação sobre alimentação saudável, a maioria das pessoas ainda falha em consumir um nutriente essencial para a saúde do coração.
A professora Anne-Marie Minihane, da Universidade de East Anglia, analisou dados de mais de 1,6 milhão de pessoas e afirma que a ingestão de ômega-3 está muito abaixo do recomendado em quase todo o mundo, situação que preocupa especialistas em nutrição e prevenção de doenças cardiovasculares.
Um nutriente essencial que falta no prato
As recomendações sobre alimentação equilibrada são amplamente conhecidas e envolvem variedade, hidratação adequada e consumo correto de vitaminas e minerais. Ainda assim, um componente fundamental segue negligenciado pela maioria da população.
Segundo Anne-Marie Minihane, professora da Escola de Medicina de Norwich, o problema não está apenas na falta de informação, mas na dificuldade prática de incluir certos nutrientes na rotina alimentar.
Após liderar uma extensa meta-análise internacional, a pesquisadora concluiu que os ácidos graxos ômega-3 estão ausentes ou presentes em quantidades insuficientes na dieta da maior parte das pessoas, cenário semelhante ao observado em outros hábitos alimentares, como já destacou a Gazeta ao abordar os desafios da alimentação saudável.
O impacto do ômega-3 na saúde do coração
Os ácidos graxos ômega-3 desempenham papel crucial na proteção cardiovascular, ajudando a reduzir inflamações e o risco de doenças do coração.
Entre os principais tipos estão o DHA e o EPA, encontrados principalmente em peixes gordurosos como salmão, sardinha, arenque e cavala, além do ALA, presente em fontes vegetais.
De acordo com a pesquisadora, a ingestão inadequada desses compostos está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, além de impactos no sistema imunológico e no funcionamento cerebral, tema recorrente em estudos sobre prevenção, como já mostrou a Gazeta ao tratar da saúde do coração.
Por que consumimos tão pouco e como resolver
A análise comparou recomendações oficiais de 100 países com grandes estudos populacionais e mostrou que a maioria das pessoas não atinge nem metade da ingestão diária recomendada de ômega-3.
O baixo consumo de peixe oleoso, o preço elevado, questões de acesso e até preocupações ambientais ajudam a explicar o cenário, segundo Minihane.
A recomendação é direta: aumentar o consumo de peixes gordos ou recorrer a suplementos de óleo de peixe. Para vegetarianos e veganos, sementes de linhaça, chia, nozes e óleos vegetais específicos surgem como alternativas viáveis para reduzir essa deficiência.


