‘Ainda Estou Aqui’: veja 5 temas psicológicos abordados no filme

Premiado, o filme estrelado por Fernanda Torres, aborda questões importantes, envolvendo saúde emocional, presentes na vida de todas as pessoas

"Ainda estou aqui" ganhou na categoria Melhor Filme Internacional do Oscar

Ainda Estou Aqui provoca reflexões importantes sobre aspectos psicológicos | Divulgação

O premiado filme “Ainda Estou Aqui”, estrelado pela atriz Fernanda Torres, além de contar sobre a história da família Paiva durante o período mais intenso da ditadura militar no Brasil, aborda também temas importantes envolvendo saúde mental.

Segundo a doutora em psicologia Blenda Oliveira, psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), o filme provoca reflexões importantes sobre aspectos psicológicos presentes na vida de todas as pessoas.

A seguir, confira os temas universais, relacionados com psicologia e saúde mental, abordados no longa de Walter Salles.

1 – Luto e a dificuldade de aceitação da perda

 “O luto é apresentado com muita sensibilidade, destacando a dificuldade em aceitar a ausência e o desejo de manter viva a memória de Rubens. Isso mostra como o processo de luto varia de pessoa para pessoa e, normalmente, é uma etapa desafiadora da vida”, comenta Blenda.

2 – Memória e identidade

De acordo com a psicóloga, a narrativa reflete sobre como as memórias definem as pessoas e como elas lidam com o passado.

Para a profissional, a tentativa de preservar a essência do que foi perdido, seja por meio de objetos, cartas, ou lembranças, é um tema central que conecta as personagens.

3 – Resiliência e superação

O filme também aborda como as pessoas enfrentam traumas emocionais e tentam reconstruir suas vidas.

“A busca por significado no meio do sofrimento é um aspecto recorrente que contribui para o desenvolvimento psicológico das personagens”, comenta Blenda.

A especialista emenda: “E, de certa forma, a maneira como Eunice busca lidar com o luto é muito emocionante, e pode inspirar outras pessoas mesmo em contextos diferentes”.

4 – Conexões humanas e empatia

Na opinião da psicóloga, a história mostra como os laços emocionais podem ajudar no processo de cura.

“A interação entre as personagens oferece momentos de empatia e solidariedade, enfatizando a importância de compartilhar sentimentos e encontrar apoio em outras pessoas. Ter uma rede de apoio para enfrentar momentos difíceis é fundamental”, explica.

5 – Dualidade entre isolamento e interação

Blenda traz outro ponto importante observado no filme. Para ela, as personagens frequentemente oscilam entre o desejo de se isolar e a necessidade de conexão.

“Essa tensão reflete os conflitos internos que acompanham situações de dor emocional. Aqui, cabe lembrar que não há receita e a contradição de sentimentos é comum, principalmente num momento de dor”, ressalta a psicóloga.

Por isso, finaliza a especialista, “o dia após dia, buscando acolher o que sente, é uma forma de autocuidado e também de vivenciar as emoções e sentimentos sem tentar evitar a qualquer custo, o que normalmente intensifica o processo.”