Espada-de-São-Jorge tem efeito incrível contra o diabetes, revela estudo

Planta promissora no diabetes, mas estudos ainda são só em laboratório

Espada-de-São-Jorge pode virar medicamento, mas não é cura hoje

Espada-de-São-Jorge pode virar medicamento, mas não é cura hoje | Ilustração/Gazeta SP

A espada-de-São-Jorge voltou a aparecer em vídeos e posts com uma promessa conhecida: “ajuda no diabetes”. O que existe, até agora, são resultados de laboratório. Isso ainda não prova efeito em pessoas.

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Mesmo assim, um novo estudo chamou atenção ao testar extrato da planta em células do pâncreas, que são as células que produzem insulina. O achado abre caminho para pesquisas, mas não substitui remédios nem acompanhamento médico.

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O que o estudo fez, em palavras simples

No diabetes, o açúcar no sangue fica alto e o corpo pode sofrer com inflamação e outros danos. Um dos alvos de pesquisa são as células do pâncreas que fabricam insulina, porque elas podem enfraquecer ao longo do tempo.

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No laboratório, cientistas “forçaram” um cenário de dano nessas células para ver se o extrato da espada-de-São-Jorge ajudaria. A ideia é comparar o antes e depois, sempre em ambiente controlado.

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Como a planta foi testada nas células do pâncreas

Para simular o problema, os pesquisadores usaram uma substância chamada estreptozotocina, muito usada em estudos por causar dano às células beta. Com isso, as células tendem a morrer mais rápido.

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Quando o extrato da espada-de-São-Jorge entrou no experimento, as células resistiram melhor em algumas condições. O estudo descreve uma possível ativação de defesas internas da célula, como se fosse um reforço para ela aguentar o estresse.

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Mas existe um ponto que muda tudo. Quando os cientistas colocaram um marcador de inflamação mais forte (TNF-α), o efeito protetor não apareceu e a mistura passou a ser prejudicial para as células.

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Isso ajuda a entender por que não dá para transformar o resultado em receita caseira. O mesmo composto pode se comportar de forma diferente dependendo do nível de inflamação do organismo.

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Como a espada-de-São-Jorge pode mexer com o açúcar após a refeição

Depois que a gente come pão, arroz ou macarrão, o corpo quebra o carboidrato e transforma em açúcar. Parte desse processo depende de uma enzima chamada alfa-glicosidase, que ajuda a “soltar” a glicose.

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Alguns remédios, como a acarbose, atuam reduzindo a ação dessa enzima para segurar o pico de açúcar. Em testes de bancada, pesquisadores observaram que frações do extrato da planta também conseguiram inibir a alfa-glicosidase.

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O detalhe é que a potência do remédio é muito maior. Em geral, a planta precisa de uma quantidade bem mais alta para chegar perto do efeito visto com a acarbose em laboratório.

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Os estudos apontam que flavonoides podem estar por trás dessa ação. Eles podem se “encaixar” na enzima e atrapalhar o funcionamento, como se travassem a peça.

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Rins e diabetes: o que existe e o que ainda é hipótese

Diabetes mal controlado pode prejudicar os rins com o tempo. Por isso, revisões científicas analisam plantas com substâncias que, em teoria, poderiam reduzir estresse oxidativo e inflamação, dois fatores ligados a lesão renal.

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No caso da espada-de-São-Jorge, a revisão cita compostos presentes na planta, como flavonoides, terpenos e ácidos fenólicos, e discute caminhos biológicos que fariam sentido. Só que isso ainda não vira prova de proteção renal em humanos.

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Em resumo, a parte dos rins é mais uma hipótese baseada em composição química e em estudos iniciais. Falta o passo mais importante, testar em gente com dose definida e acompanhamento.

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O que já dá para afirmar, sem exagero

  • Há sinal em laboratório: o extrato foi testado em células do pâncreas e em enzimas ligadas ao açúcar após a refeição.
  • Não é tratamento pronto: não existem estudos clínicos em humanos usando espada-de-São-Jorge para controlar diabetes.
  • Não é cura: o máximo que esses trabalhos fazem é abrir caminho para novas pesquisas e, no futuro, possíveis medicamentos.

Cuidados para quem tem diabetes

Se você tem diabetes, a orientação prática é manter o tratamento indicado, com alimentação, atividade física e remédios quando prescritos. Interromper medicamento por conta própria aumenta o risco de complicações.

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Se a ideia for usar qualquer planta como complemento, converse antes com o endocrinologista. Misturar substâncias com remédios pode causar efeito indesejado, e ainda não há dose segura definida para isso.