O solo brasileiro acaba de entregar um segredo guardado por centenas de milhões de anos. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) identificaram uma espécie inédita de réptil, batizada de Gondwanax paraisensis, que viveu há aproximadamente 237 milhões de anos no que hoje é o município de Paraíso do Sul.
O fóssil, considerado um dos mais antigos já encontrados, é peça-chave para entender o surgimento dos gigantes que dominariam a Terra na Era Mesozoica.
O ‘pai’ dos dinossauros?
A grande dúvida que empolga a comunidade científica é a posição do Gondwanax na evolução. O animal pertence ao grupo Silesauridae, uma linhagem de répteis pré-históricos.
O debate atual divide especialistas: alguns acreditam que os silessaurídeos eram precursores muito próximos (uma espécie de “tio” ou “primo” evolutivo), enquanto outros sugerem que eles já eram, de fato, os primeiros dinossauros verdadeiros.
Essa dúvida surge porque o Gondwanax apresenta uma mistura intrigante de características:
- Primitivas: o osso da coxa (fêmur) não possui uma crista muscular comum em dinossauros.
- Avançadas: a região do sacro (conexão da coluna com a cintura) possui mais vértebras que outros animais da mesma época, sugerindo uma forma única de locomoção.
Ovos de dinossauro com cerca de 72 milhões de anos também vieram à tona em um sítio em Guadalajara e já são tratados como um achado raro na Europa.
Como era o Gondwanax paraisensis?
Com cerca de um metro de comprimento, o pequeno réptil não era o gigante que costumamos imaginar quando pensamos em dinossauros. Embora seus dentes não tenham sido recuperados, cientistas acreditam que ele era herbívoro ou onívoro, baseando-se em parentes próximos da mesma espécie.
O nome é carregado de simbolismo: Gondwanax significa “Lorde do Gondwana”, em referência ao antigo supercontinente que formava a porção sul da Pangeia. Já paraisensis é uma homenagem direta à cidade gaúcha onde o fóssil foi localizado.
Descoberta por acaso
O que torna a história ainda mais fascinante é que o fóssil não foi encontrado por uma expedição científica planejada. O médico Pedro Lucas Porcela Aurélio avistou os restos mortais por acaso. Consciente da importância do achado, ele doou o material ao Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM no início de 2024.
O estudo, liderado pelo paleontólogo Rodrigo Temp Müller, foi publicado na prestigiada revista científica Gondwana Research, reforçando o papel do Brasil como um dos principais palcos para o estudo da vida pré-histórica no mundo.
Segundo a UFSM, o achado demonstra que o Brasil não apenas preservou os primeiros dinossauros, mas também os répteis que “marcaram o início da história evolutiva” que transformou os ecossistemas terrestres.
