Óleo vegetal engorda? Um estudo da Universidade da Califórnia colocou o óleo de soja no centro do debate ao observar ganho de peso em ratos alimentados com dieta rica em gordura.
O trabalho reacendeu a discussão sobre o ácido linoleico, uma gordura presente em vários óleos usados no dia a dia, e sobre compostos que podem se formar no organismo.
O que o estudo com ratos mostrou
Publicado no Journal of Lipid Research, o experimento acompanhou ratos que receberam dieta rica em gordura com óleo de soja. Eles ganharam mais peso do que os demais grupos.
O foco não foi só a gordura, mas os derivados produzidos a partir do ácido linoleico. Os autores apontam que esse ácido pode gerar oxilipinas, ligadas à inflamação e ao acúmulo de gordura.
Um grupo de ratos geneticamente modificados não teve o mesmo aumento de peso, mesmo com a mesma alimentação. A equipe agora investiga como as oxilipinas mexem com o metabolismo.
Óleo de soja e o ácido linoleico no prato
O alerta ganhou força porque o óleo de soja é muito usado e aparece com frequência em alimentos ultraprocessados. Os pesquisadores citam que o consumo do produto cresceu nos Estados Unidos ao longo do último século.
Outros óleos também têm ácido linoleico, mas em proporções diferentes. O de girassol costuma ter mais, enquanto azeite e óleo de colza (canola) aparecem com menos, segundo dados de um instituto finlandês.
Na prática, isso levanta a dúvida: trocar o tipo de óleo muda o peso de verdade? Especialistas dizem que a resposta depende do conjunto da dieta e da quantidade consumida.
Por que humanos não são ratos
Ursula Schwab, professora da Universidade da Finlândia Oriental, diz que não há motivo para alarme imediato. Segundo ela, estudos com animais ajudam a entender mecanismos, mas não definem efeito direto em humanos.
Schwab lembra que qualquer alimento rico em gordura pode favorecer o ganho de peso quando entra em excesso. Ao mesmo tempo, óleos vegetais são importantes por fornecerem ácidos graxos que o corpo não produz.
Para ela, o maior risco não é exagerar no ácido linoleico, mas consumir pouco ácido alfa-linolênico. “O risco de uma ingestão insuficiente de ácido alfa-linolênico é maior do que o de ácido linoleico”, afirma ao portal holandês TM.
Equilíbrio é a palavra-chave
Entre os óleos mais usados no mundo, o de colza se destaca por ter mais ácido alfa-linolênico. O óleo de soja também tem esse ácido, mas em menor proporção.
Recomendações nutricionais citadas por Schwab indicam equilíbrio: ácido linoleico com pelo menos 2% da energia diária e alfa-linolênico com 0,5%. “Um adulto deve consumir pelo menos 25 gramas de óleo vegetal por dia”, reforça.
No fim, o estudo acende um sinal amarelo. A mensagem é menos demonização e mais escolha consciente, variedade no prato e menos espaço para ultraprocessados.




