Tensões nucleares e instabilidade global levam Relógio do Juízo Final ao nível mais crítico

Indicador simbólico aponta maior risco global já registrado desde 1947

Cientistas citam conflitos armados, risco nuclear e avanço da desinformação

Cientistas citam conflitos armados, risco nuclear e avanço da desinformação | (Foto: Reprodução/ Youtube)

Na terça-feira, 27 de janeiro, cientistas anunciaram um novo ajuste no Relógio do Juízo Final, aproximando-o mais do que nunca da meia-noite, o ponto simbólico que representa a aniquilação da humanidade.

Agora, o relógio marca 85 segundos para a meia-noite, quatro segundos a menos em relação ao ano anterior.

Esta é a posição mais próxima do “fim do mundo” já registrada desde a criação do indicador, em meio a um cenário de múltiplas crises globais simultâneas.

Marcadas por conflitos armados, tensões nucleares e transformações tecnológicas aceleradas.

Origem do Relógio do Juízo Final

O Relógio do Juízo Final foi criado em 1947, no contexto das tensões da Guerra Fria que se seguiram à Segunda Guerra Mundial.

A iniciativa partiu do Boletim dos Cientistas Atômicos, organização sem fins lucrativos fundada em 1945 por cientistas envolvidos no desenvolvimento da bomba atômica.

Desde então, o indicador passou a simbolizar o nível de risco global, considerando ameaças como armas nucleares, mudanças climáticas, instabilidade política e o avanço da desinformação.

Temas que já foram abordados em análises sobre o aumento das ameaças nucleares no cenário internacional.

Tensões nucleares e enfraquecimento de acordos

Segundo o Boletim, um dos principais fatores para o novo ajuste é o comportamento agressivo das principais potências nucleares, como Estados Unidos, Rússia e China.

O enfraquecimento de tratados de controle de armas e a ausência de novos acordos elevam significativamente o risco de um desastre global.

A modernização de arsenais nucleares e a retomada de discursos beligerantes reforçam a avaliação de que o mundo vive hoje uma situação mais perigosa do que em anos anteriores.

Conflitos armados em curso

Os conflitos internacionais em andamento também tiveram peso na decisão.

A guerra entre Rússia e Ucrânia, os confrontos no Oriente Médio e outras tensões geopolíticas elevam o risco de escaladas militares envolvendo grandes potências.

Especialistas alertam que esse ambiente instável aumenta as chances de erros de cálculo e decisões precipitadas.

Com impactos irreversíveis, cenário semelhante ao analisado em reportagens sobre a escalada de conflitos e seus efeitos globais.

Falha global de liderança

Em entrevista à Reuters, Alexandra Bell, especialista em política nuclear, presidente e CEO do Boletim dos Cientistas Atômicos, afirmou que o relógio reflete uma falha global de liderança.

Segundo ela, ao longo de 2025 não houve avanços concretos em direção a uma maior segurança nuclear, e o risco do uso dessas armas segue extremamente alto.

Tecnologia, desinformação e inteligência artificial

Além das ameaças militares, os cientistas destacaram os riscos associados ao avanço rápido da inteligência artificial e à disseminação da desinformação.

Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, afirmou que o mundo vive um “apocalipse da informação”.

Para ela, tecnologias que lucram com a polarização social enfraquecem democracias, dificultam consensos globais e comprometem a capacidade de resposta coletiva diante de crises existenciais.