Na terça-feira, 27 de janeiro, cientistas anunciaram um novo ajuste no Relógio do Juízo Final, aproximando-o mais do que nunca da meia-noite, o ponto simbólico que representa a aniquilação da humanidade.
Agora, o relógio marca 85 segundos para a meia-noite, quatro segundos a menos em relação ao ano anterior.
Esta é a posição mais próxima do “fim do mundo” já registrada desde a criação do indicador, em meio a um cenário de múltiplas crises globais simultâneas.
Marcadas por conflitos armados, tensões nucleares e transformações tecnológicas aceleradas.
Origem do Relógio do Juízo Final
O Relógio do Juízo Final foi criado em 1947, no contexto das tensões da Guerra Fria que se seguiram à Segunda Guerra Mundial.
A iniciativa partiu do Boletim dos Cientistas Atômicos, organização sem fins lucrativos fundada em 1945 por cientistas envolvidos no desenvolvimento da bomba atômica.
Desde então, o indicador passou a simbolizar o nível de risco global, considerando ameaças como armas nucleares, mudanças climáticas, instabilidade política e o avanço da desinformação.
Temas que já foram abordados em análises sobre o aumento das ameaças nucleares no cenário internacional.
Tensões nucleares e enfraquecimento de acordos
Segundo o Boletim, um dos principais fatores para o novo ajuste é o comportamento agressivo das principais potências nucleares, como Estados Unidos, Rússia e China.
O enfraquecimento de tratados de controle de armas e a ausência de novos acordos elevam significativamente o risco de um desastre global.
A modernização de arsenais nucleares e a retomada de discursos beligerantes reforçam a avaliação de que o mundo vive hoje uma situação mais perigosa do que em anos anteriores.
Conflitos armados em curso
Os conflitos internacionais em andamento também tiveram peso na decisão.
A guerra entre Rússia e Ucrânia, os confrontos no Oriente Médio e outras tensões geopolíticas elevam o risco de escaladas militares envolvendo grandes potências.
Especialistas alertam que esse ambiente instável aumenta as chances de erros de cálculo e decisões precipitadas.
Com impactos irreversíveis, cenário semelhante ao analisado em reportagens sobre a escalada de conflitos e seus efeitos globais.
Falha global de liderança
Em entrevista à Reuters, Alexandra Bell, especialista em política nuclear, presidente e CEO do Boletim dos Cientistas Atômicos, afirmou que o relógio reflete uma falha global de liderança.
Segundo ela, ao longo de 2025 não houve avanços concretos em direção a uma maior segurança nuclear, e o risco do uso dessas armas segue extremamente alto.
Tecnologia, desinformação e inteligência artificial
Além das ameaças militares, os cientistas destacaram os riscos associados ao avanço rápido da inteligência artificial e à disseminação da desinformação.
Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, afirmou que o mundo vive um “apocalipse da informação”.
Para ela, tecnologias que lucram com a polarização social enfraquecem democracias, dificultam consensos globais e comprometem a capacidade de resposta coletiva diante de crises existenciais.


