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Segundo guardas metropolitanos, um garoto de sete anos foi soterrado no Morro do Socó e resgatado com vida
Segundo guardas metropolitanos, um garoto de sete anos foi soterrado no Morro do Socó e resgatado com vida
Foto: Reprodução/TV Globo

Chuva e deslizamento de terra deixam famílias desabrigadas em Osasco

O secretário de de assistência social, Cláudio Piteri, disse que ainda não há estimativa de número de famílias desabrigadas

Na madrugada desta segunda (10), a chuva intensa, a mais volumosa dos últimos 37 anos, causou um deslizamento de terra no morro do Socó, em Osasco, na Grande São Paulo.

Segundo guardas metropolitanos no local, um garoto de sete anos foi soterrado e resgatado com vida. Ele teve uma parada cardíaca, foi reanimado pela equipe de socorristas e encaminhado para um hospital em Barueri.

Na frente da unidade do Portal D'Oeste, do Centro Cultural Esportivo, em Osasco, E. da S.C., 53, procura pela amiga desaparecida. "Onde eu falo sobre pessoa desaparecida?", ela pergunta a um guarda civil. "Lá dentro senhora".

Na manhã desta segunda (10), a amiga teria mandado uma mensagem para E. dizendo que seu barraco, no morro do Socó, havia alagado. A casa da amiga fica no local onde houve deslizamento de terra em decorrência da chuva que aflige a Grande São Paulo e a capital paulista desde o domingo (9).

"A gente trabalha na mesma empresa, eu vim procurar ela aqui", disse.

O centro cultural está lotado. Pessoas aguardam senhas para serem cadastradas pela prefeitura para conseguirem abrigo e ajuda em meio à crise.

O secretário de de assistência social, Cláudio Piteri - que está no local coordenando a ajuda aos cidadãos - disse à reportagem da Folha de S.Paulo que ainda não há estimativa de número de famílias desabrigadas.

Piteri afirma que após finalizar o cadastro daqueles que estão no centro cultural, as pessoas que não tiverem para onde ir serão levadas para um espaço da prefeitura ainda não definido, mas que provavelmente será uma escola.

"Estamos mobilizados desde a primeira hora da manhã, e como aqui houve uma situação emergencial estamos cadastrando as famílias e tentando entender qual o melhor tipo de atendimento", afirma.

Questionado sobre a situação da amiga de Edinalva, o secretario reiterou que não houve notificação de desaparecidos até o momento.

G.S.M., 28, está entre as pessoas que perderam a casa no morro do Socó. Ele morava no local há sete anos. Por volta das 7h da manhã desta segunda, a parede do quarto da sua filha, de 12 anos, veio abaixo. Só deu tempo de pegar no colo seu outro filho, de seis meses de idade, e deixar a casa com a as crianças e o marido.

"Ninguém tirou a gente de casa não. Tô desde 7h sem comer", diz. Ela conta que a primeira vez que falou com alguém da prefeitura foi por volta do meio-dia. Ela está na fila para receber uma senha e ser cadastrada pela assistência social, mas afirma que não vai para uma escola.

"Eu não vou para escola. Como vou para uma escola com meus filhos? Eles vão deixar a gente lá até quando? Como eu vou ficar no meio de um monte de gente com uma criança de seis anos e uma de 12 que precisa ir pra escola?", diz.

M.A. de F., 54, foi acordada às 3h da manhã devido à força da chuva.

Ela ficou presa no quarto dos fundos depois que uma das paredes da sua casa desabou. M.A. só conseguiu sair do cômodo após um vizinho destruir a parede de madeira do quarto.

Ela tem dois filhos, uma menina e um menino, mas apenas o garoto, que tem deficiência intelectual, estava em casa na hora do deslizamento. A filha mais velha estava na casa do pai quando tudo aconteceu.

"Agora estou aqui, não tenho como trabalhar porque preciso cuidar do meu filho. Não tenho pra onde ir. Vou ver o que vai dar aqui no cadastramento", disse.

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