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Perdemos uma ilha confiável

Esta semana tivemos uma grande perda no jornalismo brasileiro. Mesmo quem não acompanhava assiduamente o trabalho de Ricardo Boechat sentiu que a partir de agora vai ficar uma lacuna gigantesca nas notícias e nas análises delas no nosso cotidiano.

Mais do que reconhecer que a morte do jornalista foi inesperada, a maioria das personalidades, políticos, colegas de profissão e artistas que fizeram questão de homenageá-lo, lembrou da sua postura crítica diante do momento conturbado que a sociedade brasileira vive.

Umas das palavras mais citadas nos textos que lembravam a sua trajetória foi ética. Boechat tinha uma postura elogiada por colegas e sabia usá-la com sabedoria para criticar políticos, sendo eles de qual lado for.

Outra palavra que chamou a atenção nos textos sobre o jornalista foi coragem. Em tempos tão difíceis para o jornalismo brasileiro, Boechat não tinha medo de mostrar sua indignação com as injustiças, de cobrar as autoridades e de questionar sem se curvar a interesses.

Ouvir a opinião de Boechat era um alento, uma ilha confiável de bom-senso e sensatez. Pela sua experiência, pelo o que representava, por toda sua bagagem, ele era respeitado mesmo se não concordássemos com sua opinião. E não confunda jornalismo opinativo com a análise jornalística de Boechat. Os fatos eram expostos e analisados por Boechat do ponto de vista de sua lúcida e longa carreira. Por isso a perda foi enorme e tão precoce.

Incansável, Ricardo Eugênio Boechat, de 66 anos, tinha sempre o comentário no tom tanto na Rádio pela manhã, quanto como âncora do "Jornal da Band", à noite. Em 49 anos de carreira escreveu em jornais como "Diário de Notícias", onde começou, "O Globo", "Jornal do Brasil", "O Estado de S. Paulo" e "O Dia". Fez parte também do "Bom Dia Brasil" da "TV Globo", de 1990 a 2001, com uma coluna diária marcada pela irreverência e humor ácido.

Na segunda-feira, dia 11 de fevereiro, dentro do helicóptero em que caiu na rodovia Anhanguera e bateu na parte dianteira de um caminhão que transitava pela via, morreram o piloto Ronaldo Quattrucci, o jornalista Ricardo Boechat e uma parte da história do jornalismo.

Ao menos que a paixão pela profissão que Boechat tinha possa inspirar as novas gerações e que a profissão volte a ter grandes pérolas como ele que nos ajudem a encarar todas as manhãs um novo dia. E segue o barco.

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