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O ódio está se espalhando

Esta semana mais uma tragédia abalou o País. Como se não bastassem Brumadinho, Flamengo, enchentes, veio o ataque de Suzano, na Grande São Paulo. Dois jovens entraram em uma escola armados e saíram atirando e ferindo quem viam pela frente. Foram 15 minutos de terror até que a primeira viatura da polícia chegasse e os assassinos se matassem.

Para os brasileiros, acostumados a superar toda e qualquer adversidade, é difícil compreender o que leva dois adolescentes a tirar a vida de inocentes. Mais duro ainda são os pais aceitarem que deixaram seu filho em um ambiente que considerava seguro e que mesmo assim ele foi exposto à violência. É cruel e injusto culpar a escola ou a falta de segurança nela.

Talvez se não fosse na escola teria acontecido em outro local. A dupla, que agora se investiga que pode ser um trio, planejava o ataque há mais de um ano. Os jovens faziam parte de grupos de internet que incentivam atos de violência e cultuam o ódio.

O Brasil vem registrando um aumento de discursos de ódio na internet contra mulheres, negros, gays e imigrantes. Prova disso é que nos últimos 11 anos, quase 4 milhões de denúncias relacionadas a esses crimes foram recebidas pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. São páginas contendo evidências de racismo, neonazismo, intolerância religiosa, homofobia, incitação de crimes contra a vida, maus tratos a animais e pedofilia.

Mas de 2016 para 2017, o movimento contrário chama a atenção: o número de denúncias dessas páginas despencou de 115 mil para 60 mil, um sinal claro de que o crime de ódio se tornou banal. O conteúdo ilegal e até criminoso é curtido, compartilhado e viraliza nas redes. Há um movimento não só nacional, mas mundial de incentivo ao ódio, à violência e a segregação, incluindo líderes mundiais como o presidente norte-americano Donald Trump, que quer construir um muro separando o país do México.

A sociedade não pode ignorar esse movimento.

É preciso reforçar a ideia de um País plural, do respeito à diversidade e ao próximo. Além disso, a investigação e punição às páginas na internet que incitem a violência e discurso contra as minorias têm que ser rigorosas. É urgente levantar um debate sobre tolerância nas escolas e, principalmente, promover campanhas nas redes sociais para que o conteúdo positivo também viralize e, assim, evitar que o País passe por novos episódios de terror como o de Suzano.

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