últimas notícias

Cultura também é essencial

Que os estados brasileiros estão passando por uma crise econômica aguda não é novidade. Os governos estão endividados e não estão conseguindo colocar as contas em dia para voltar a fazer investimentos importantes e, com isso, são obrigados a enxugar o orçamento.

Nesse cenário, o que também não é novidade é que a primeira área a sofrer com cortes seja a Cultura. Na última semana, veio à tona a notícia de que o governo João Doria (PSDB) cortaria R$ 127 milhões dos principais equipamentos e programas culturais do Estado como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), a Biblioteca de São Paulo, a Pinacoteca de São Paulo, as Fábricas de Cultura, as Oficinas Culturais, a Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP Tom Jobim), o Museu da Imagem e do Som (MIS), o Museu Afro Brasil, o Theatro São Pedro, a São Paulo Cia. de Dança e o Projeto Guri.

Este último foi o que mais gerou repercussão. A organização social que administra o projeto teve que colocar em aviso prévio 650 dos 1.500 educadores que atuam em todo o estado, ensinando música para crianças carentes. Dos 335 polos, 171 seriam fechados.

A mobilização do grupo fez com que Doria voltasse atrás em relação ao Guri, mas não aos outros equipamentos. Segundo o governador, é preciso estabelecer prioridades e suas prioridades são "Educação, Saúde, Habitação, Segurança Pública e Assistência Social".

A imagem rasa de que Cultura não faz parte da Educação, da Segurança e da Assistência Social é um dos maiores erros dos governantes. Investir em políticas públicas de Cultura é investir em prevenção. Com a Cultura há menos evasão escolar e há menos crianças nas ruas.

Aprender um instrumento, saber o que é uma orquestra, ir a um museu, a um concerto, é coisa rara nas comunidades carentes. No Brasil só os privilegiados têm acesso a esses eventos, mas a grande maioria da população precisa de ações do governo ou de organizações sociais para promover esse acesso. A cultura é uma ferramenta essencial para inclusão social e é uma pena que seja sempre colocada em segundo plano pelos gestores.

Um lugar que se conforma com o corte de verba de um projeto de música é o mesmo que fica indignado com o incêndio do maior museu do País. E os dois são de suma importância para o desenvolvimento sociocultural e da autoestima de uma nação.

Comentários

Tops da Gazeta