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O novo centro não deve esquecer do antigo

O centro de São Paulo, como outras regiões centrais de grandes cidades pelo mundo, tem seus aspectos fascinantes e que ajudam a revelar a história arquitetônica, social e cultural dos paulistanos. Por outro lado, há décadas é um lugar também degradado, inseguro e pouco confortável para a população.

O prefeito Bruno Covas tem a intenção de reverter esse cenário com um grande investimento de revitalização de pontos importantes da região central, como a criação do Parque Augusta e do Parque Minhocão e da readequação e reurbanização do Vale do Anhangabaú e do Largo do Arouche.

A intenção é louvável, mas um risco parece claro: o de, mais uma vez, uma gestão municipal descaracterizar pontos históricos da cidade de São Paulo. Em busca do progresso, edifícios e espaços seculares da Capital vieram abaixo, como dezenas de casarões na avenida Paulista, igrejas, conventos e vilas operárias. Para não falar das centenas de rios e córregos enterrados pelo cimento.

A Justiça percebeu esse perigo e, nesta semana, suspendeu por meio de uma liminar as obras no Largo do Arouche para, nas palavras da juíza Paula Micheletto Cometti, da 12ª Vara de Fazenda Pública da Capital, analisar se o projeto "causará danos ao patrimônio histórico, cultural, artístico, arquitetônico e urbanístico do Largo do Arouche". A ideia da Prefeitura de São Paulo é

a de transformar o local em um "boulevard com inspiração francesa". Há quem ache que seria mais proveitoso tornar o local uma praça com inspiração brasileira, mas bem cuidada, segura e agradável.

O centro precisa ser revitalizado. O novo, porém, pode e deve conviver com a nossa história.

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