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Números quase animadores

O final do mês de agosto veio acompanhado de duas notícias que parecem animadoras. A primeira é que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 0,4%, quando a previsão era no máximo 0,2%. A outra é que houve recuo de 4,6% no número da população desocupada no País. Depois de oito meses de governo marcado por muitas confusões e polêmicas, as novidades foram um alento.

No entanto, um olhar mais atento sobre esses números comprova que não há muito o que comemorar. O Brasil deve "crescer" 1% e ainda existem 12,6 milhões de pessoas desempregadas. Os números frios representam o que o brasileiro sente na pele em seu cotidiano. Amigos e parentes sem emprego, alimentos ficando mais caros no supermercado e o salário que não é o suficiente para quitar as contas do
mês.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a renda média real do trabalhador foi de R$ 2.286 no trimestre até julho, com queda de 0,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

E quem não encontra um emprego fixo costuma optar pelo trabalho informal. Se multiplicam pelas ruas da capital paulista, por exemplo, as barracas de café da manhã, de frutas, de roupas... Em três meses, foram 343 mil pessoas no País que começaram a trabalhar por conta
própria.

O que impulsionou o PIB foram os investimentos no setor de construção civil, embora permaneça 5,1% abaixo do esperado. Perto de outros países emergentes, a taxa de investimento teve leve aumento passando para 15,9% do PIB, resultado um pouco melhor do que os 15,4% de 2018, que colocavam o País na 166ª posição entre as 172 nações para as quais o FMI possui dados. A melhora na construção civil responde por cerca de metade do investimento, puxada em especial pela recuperação no mercado imobiliário.

A palavra recessão parece, por ora, ter se afastado, mas as perspectivas para 2020 não são animadoras. Os míseros 2,1% podem estar ameaçados pelo cenário econômico mundial instável e acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Cabe ao governo brasileiro implementar a política econômica que prometeu e investir em obras de infraestrutura e desenvolvimento urbano. Além de, claro, evitar a promoção de conflitos internos e externos para devolver a confiança aos investidores e ao consumidor.

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