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O ciclo da violência no Rio

O Brasil não é um País de paz. A morte da menina Àghata de 8 anos, na sexta-feira, dia 20, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro trouxe à tona o debate sobre a violência no Rio. Este ano foram cinco mortes por dia em decorrência de ações policiais. No centro da discussão está a política de segurança adotada pelo governador Wilson Witzel (PSL), considerada uma política de confronto.

Até agosto, o Rio de Janeiro registrou 1.249 mortes por violência policial, um crescimento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do próprio Instituto de Segurança do Rio de Janeiro. E Witzel faz questão de demonstrar seu contentamento, assim como o fez na cena da ponte Rio-Niterói onde comemora como se fosse um gol a morte do homem que sequestrou um ônibus.

Seu mote de campanha era eliminar e destruir a criminalidade no Rio, mas o que se tem visto é o crescimento dos crimes. Matar mais não significa reduzir a criminalidade. Fora o prejuízo para as comunidades que passam pelos confrontos diários, que convivem com a dor de uma perda, medo e traumas, e ainda têm sua rotina marcada por tiroteios, balas perdidas e operações policiais. As vítimas da violência também incluem os policiais mortos em confrontos. Mesmo com a queda pela metade em relação ao ano passado (foram 13 PMs assassinados nos primeiros três meses deste ano contra 30 no mesmo período de 2018), os agentes de segurança são alvo da violência e ainda não contam com bons salários e nem equipamentos adequados para trabalhar.

A Polícia Civil vai investigar a morte da menina Àghata para saber de onde partiu o tiro. Ainda não se sabe se a bala que atingiu a menina saiu da arma de um policial, mas o que se sabe é que este ano, Ághata foi a quinta criança vítima da violência no Rio.

Infelizmente não é de hoje que os governantes têm falhado no combate ao crime e ao narcotráfico no Rio.

Nos últimos seis anos o número de mortes provocadas pela polícia quase quadruplicou. Falta investimento, inteligência, planejamento e ações como controle de armas e munições, mapeamento de áreas e principalmente políticas de prevenção. Entre bandido, comunidade e polícias existe o interesse do poder público em realmente promover políticas que provoquem mudanças reais nas comunidades dominadas pelo crime organizado. Isso sem contar que muitas vezes o agente público é parte do crime organizado. Enquanto a arma utilizada no combate ao crime for a violência, vamos continuar em guerra.

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