últimas notícias

Alienação coletiva

Sexta-feira de manhã e milhares de pessoas se aglomeravam na estação da Luz, na região central da capital paulista, rumo ao trabalho. Na noite anterior, o Flamengo havia sido campeão do Campeonato Brasileiro. Na terça-feira, Karol Conká foi eliminada do reality show mais assistido da TV brasileira com um uníssono e retumbante 99,17%. A Câmara dos Deputados aprovou proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria novas regras para garantir a imunidade de deputados e senadores.

Nesta mesma semana, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) interferiu em uma das maiores empresas do mundo, a Petrobras, deixando o mercado financeiro em pânico. Poderiam ser dias comuns no cotidiano do País. Porém, o momento que o Brasil e os brasileiros estão vivendo não condiz com nenhuma
normalidade.

Senão o pior, estamos em um dos piores momentos da pandemia do novo coronavírus, alcançando a triste marca de 250 mil óbitos e com média móvel há mais de 30 dias acima de 1 mil mortes diariamente. Na quinta-feira, o Brasil bateu recorde de óbitos em 24 horas: 1.566 pessoas perderam a vida - o maior número desde a chegada da doença ao País, em fevereiro de 2020.

Um ano após o registro do primeiro caso da Covid-19 por aqui, pelo menos 12 estados enfrentam dificuldade e os sistemas de saúde de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rondônia entraram em colapso sem leito para atender as novas internações pela doença.

Isso tudo sem contar os mais de 13 milhões de desempregados, o aumento no preço dos alimentos, do combustível, da energia, do aluguel e dos impostos. Também nesta semana o estado de São Paulo alcançou o maior número de pessoas internadas em unidades de terapia intensiva (UTI), 6.410 doentes, além de aumento dos casos. Para completar, a vacinação ainda não chegou a 3% da população nacional.

E em meio ao caos e à desesperança, os nossos governantes anunciam toque de recolher na madrugada, que na prática tem pouca eficiência, fazem manobras para aumentar impostos e deputados tentam se proteger da prisão. Devemos estar vivendo uma alucinação coletiva. Não é possível que os governantes e representantes que o povo elegeu estejam tomando ações tão irresponsáveis e egocêntricas. Não é à toa que a população está preferindo se alienar no BBB. A realidade é trágica e triste demais.

Comentários

Tops da Gazeta