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Não há guerra Saúde x Economia

O estado de São Paulo, centro comercial pulsante do Brasil, vê semana a semana recordes serem superados. São números cada vez maiores, só que desta vez não são grandes feitos da economia: são, tragicamente, vidas perdidas pela Covid-19. São dois sentimentos que dominam o paulistano: tristeza e desespero.

Nesta semana começa um super feriadão na Capital. Medida adotada pela prefeitura da cidade para tentar frear a proliferação do vírus e desafogar os hospitais que já não têm mais leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Enquanto o governador João Doria anuncia restrição mais restritiva que a outra restrição (a redundância é proposital), Bruno Covas já admite que é impossível parar a cidade que não para. Como o prefeito disse que um lockdown é inviável na cidade de São Paulo, todavia, mais uma medida sem efetividade só aumenta o desespero dos comerciantes e trabalhadores formais e informais e não diminuiu a taxa de contagio e nem o número de vítimas da Covid-19.

Não são as grandes indústrias, conglomerados ou mega redes que sofrem com o comércio fechado e menor movimentação nas ruas. São os ambulantes, os donos de mercadinhos, o sacolão, o salão de cabeleireiro, o boteco, a academia do bairro. É uma rede de pequenos negócios que movimenta a economia e é ela que acaba burlando as determinações de fechar para tentar garantir a sobrevivência e a comida na mesa no dia a dia. A ideia de que há um cabo de guerra com a economia de um lado e a saúde do outro está equivocada. Não é um contra o outro, todos estão tentando sobreviver. O que falta entre a população é um pensamento de solidariedade, respeito às medidas adotadas pelas autoridades e bom senso. E o que falta ao governo é providenciar subsídio para que as ordens de isolamento social sejam cumpridas.

A pandemia não acabou em dezembro junto com o fim do auxílio emergencial. Estamos vivendo o pico das mortes em março de 2021, um ano de pandemia e não há um consenso entre os governos. Não há um protocolo único de atendimento. Não havia um plano de continuação do auxílio emergencial, não há uma ajuda direta que chegue ao pequeno empresário e não há um plano de vacinação que contemple toda a população brasileira. Então é o tal do "cada um por si". Cada cidade está tentando negociar a vacina independentemente do governo federal e estadual, cada comércio está decidindo como agir e cada trabalhador está batalhando para por o pão na mesa da família. No Brasil o lockdown não funciona porque o governo não funciona. Simples e duro assim.

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