A Polícia Civil ouviu nesta quarta-feira (9/4) o motorista preso por atropelar e matar duas amigas que atravessavam uma faixa de pedestres em uma avenida de São Caetano do Sul, no ABC Paulista.
Em sua defesa, Brendo Santos Sampaio disse que o semáforo estava verde para ele, que só percebeu as vítimas no momento da colisão, e que não fugiu do local, parou para prestar socorro.
A declaração foi dada durante a audiência de custódia. Brendo Santos não citou em nenhum momento se disputava um “racha” com outro carro nem se dirigia em alta velocidade.
“Quando me deparei, eu estava olhando para o semáforo da frente e vi que ele amarelou. Quando olhei para o meu, que é o de cima, eu vi que ele estava verde. Daí ia amarelar também (…) Nessa hora que eu dei de encontro. Que o carro deu de encontro com as duas mulheres. E aí eu parei. Parei o carro. Tentei prestar socorro. O cara, que estava do meu lado, já estava chamando ambulância. E eu fiquei, no meu carro, até a chegada de todos os órgãos competentes”, disse Brendo, que tem 26 anos e é estudante de Direito.
Prisão preventiva
Mesmo após o depoimento, a Justiça manteve a prisão dele e a converteu em preventiva, para que responda por homicídio por dolo eventual por assumir o risco de atropelar e matar Isabela Priel Regis e Isabelli Helena de Lima Costa na Avenida Goiás. As jovens tinham 18 anos.
Elas foram arremessadas a mais de 50 metros de distância do ponto onde foram atingidas, indício, para a polícia, de que o motorista estava em “altíssima velocidade”.
Segundo a Lei n.º 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, independentemente do semáforo, os pedestres são sempre a prioridade no trânsito.
Enterro e forte comoção
Isabela e Isabelli foram enterradas em uma mesma cerimônia na manhã desta sexta-feira (11/4).
Sob forte indignação e comoção, os corpos foram sepultados no Cemitério Municipal da Saudade, em São Caetano do Sul. O sepultamento foi realizado por volta das 10h.
O pai da Isabela, Marco Antônio dos Santos, também relembrou durante a cerimônia como as amigas eram inseparáveis. “Elas dormiam uma na casa da outra, trocavam roupas, dividiam contas, gostavam de ir aos mesmos lugares para se divertir.”
