O Ministério Público de São Paulo deflagrou uma operação nesta terça-feira (21/7) contra uma organização financeira clandestina que, segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), prestava serviços de lavagem de dinheiro para criminosos comuns e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A ação cumpre 25 mandados de busca e apreensão e 18 de prisão preventiva expedidos pela Justiça. De acordo com o Ministério Público, o grupo funcionava como uma estrutura de “bancarização” para dar aparência de legalidade a recursos obtidos por meio de atividades criminosas.
Como funcionava a rede financeira
Segundo os investigadores, os operadores recebiam dinheiro em espécie de origem ilícita e realizavam transferências por meio de contas de empresas de fachada. Em troca, os chamados “doleiros” recebiam comissões pelas operações.
A investigação identificou transações de grande volume, classificadas como “TED por vivo”, realizadas pelo investigado Alexandre Salles Brito, conhecido como Buiu.
O esquema, segundo o MP, permitia que criminosos movimentassem recursos sem uma justificativa comercial compatível com a origem do dinheiro.
Léo do Moja é apontado como cliente da rede
Entre os supostos clientes da estrutura estava Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moja ou Léo do Moinho, apontado pelo Ministério Público como uma das lideranças do PCC.
Ele é acusado de chefiar o tráfico de drogas na Favela do Moinho, no centro de São Paulo, e foi preso em 2024 durante a Operação Salus et Dignitas.
Segundo os promotores, o criminoso utilizava os operadores financeiros para adquirir bens sem registrar os negócios em seu próprio nome.
Para isso, os integrantes da rede realizavam as compras em nome próprio e recebiam o valor correspondente em dinheiro vivo.
De olho em imóveis de luxo
O Ministério Público também apontou a atuação da rede em conflitos privados, como uma disputa envolvendo imóveis de luxo na Riviera de São Lourenço, no litoral de São Paulo.
De acordo com a investigação, o grupo ligado a Léo do Moja teria atuado em favor do empresário Cléber Azevedo dos Santos.
O caso, segundo os promotores, reforçou a relação de prestação de serviços entre o empresário e o braço financeiro ligado à facção.
Áudios do “tribunal do crime” ajudaram investigação
A investigação também avançou após um dos participantes do chamado “tribunal do crime” gravar áudios de até uma hora de duração.
Segundo o Ministério Público, nas gravações, integrantes da facção apresentam informações sobre histórico prisional, conexões internas e regras de conduta do grupo.
O material foi utilizado pelos investigadores para aprofundar a apuração sobre a estrutura e as relações mantidas pelos envolvidos.
Justiça determina bloqueio de até R$ 10 milhões
Para interromper o fluxo financeiro investigado, o Ministério Público pediu e a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens e contas ligados aos operadores e às empresas de fachada.
A medida tem como objetivo atingir a estrutura financeira utilizada, segundo as investigações, para movimentar e ocultar recursos de origem criminosa.
