O Ministério das Mulheres e a plataforma Mulheres Inspiradoras lançaram, no último domingo (26/4), a mobilização nacional Brasil Sem Misoginia.
A iniciativa busca ampliar o debate público sobre misoginia no Brasil e fortalecer o apoio ao Projeto de Lei 896/2023, conhecido como PL da Misoginia. A proposta está atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados.
O lançamento aconteceu durante o encontro Mulheres Inspiradoras no Arnold Sports South America 2026, realizado no último final de semana em São Paulo. O festival reuniu executivos, especialistas, empresárias e lideranças multissetoriais em uma agenda contemporânea da saúde da mulher.
A mobilização contou com a presença da Secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Estela Bezerra.
Ela representou o Ministério das Mulheres como uma forma de reforçar a importância da articulação entre poder público e sociedade civil no enfrentamento contra a violência de gênero.
Proposta da campanha
A campanha Brasil Sem Misoginia surge como uma forma de combater o aumento recente no número de casos de violência contra as mulheres no país, especialmente no meio digital.
Dados recentes apontam que o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025. Especialistas defendem que a misoginia funciona, na maioria dos casos, como primeiro passo na escada da violência contra mulheres, o que contribui para um ambiente de hostilidade, desqualificação e silenciamento feminino.
O Projeto de Lei 896/2023 propõe equiparar a misoginia ao crime de preconceito, com penas semelhantes às previstas para crimes de racismo.
O texto foi aprovado por unanimidade no Senado Federal e aguarda análise da Câmara dos Deputados.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirma que enfrentar a misoginia é fundamental para transformar a cultura que sustenta diferentes formas de violência contra as mulheres.
“A misoginia não é apenas uma ofensa ou uma agressão verbal. Ela faz parte de uma cultura que desvaloriza mulheres e naturaliza a violência. Enfrentar esse problema é uma responsabilidade coletiva e exige mobilização da sociedade, das instituições e do poder público”, afirma Lopes.
Já Estela Bezerra destacou a importância de ampliar o debate público e fortalecer políticas de proteção às mulheres.
“Combater a misoginia é enfrentar uma das bases estruturais da violência contra mulheres. Quando naturalizamos ataques, desqualificações e discursos de ódio, criamos um ambiente que legitima outras formas de violência. Mobilizações como esta são fundamentais para ampliar a consciência social sobre esse problema”, afirmou.
Mobilização nas redes sociais
A iniciativa prevê uma mobilização nacional nas redes sociais, incluindo influenciadores, lideranças e cidadãos. A ideia é que os envolvidos gravem vídeos e manifestações em apoio à campanha à aprovação do texto.
