O tradicional “Parabéns” para a capital federal terá um tom mais sóbrio e voltado à assistência pública este ano. A governadora em exercício, Celina Leão, anunciou no fim de março o cancelamento de toda a programação festiva do aniversário de 66 anos de Brasília, redirecionando integralmente o orçamento de R$ 25 milhões para a Secretaria de Saúde.
O objetivo da medida, segundo o governo, é reforçar o combate a endemias sazonais e reduzir o gargalo crítico nas filas de cirurgias eletivas do DF. Celina assumiu Brasília em março após renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), que vai disputar as Eleições.
Impacto nos cofres e nas ruas
A decisão ocorre em um momento de pressão sobre o Governo do Distrito Federal (GDF). Segundo interlocutores do Palácio do Buriti, a medida não é apenas financeira, mas simbólica.
Celina busca desvincular a imagem da gestão de gastos com entretenimento enquanto as filas nos hospitais regionais permanecem extensas.
O orçamento de R$ 25 milhões que seria usado na comemoração será destinado à Secretaria de Saúde. A governadora avaliou a situação como “escassez de recurso”.
“Não há clima para festa enquanto nossa prioridade absoluta deve ser o cuidado com a vida. O melhor presente que Brasília pode receber é um sistema de saúde que funcione com dignidade”, afirmou a governadora em nota oficial.
Reações políticas e o setor de eventos
A oposição recebeu a notícia com cautela, classificando a medida como “gestão de danos”, enquanto a base governista exalta a “coragem administrativa” da mandatária.
No setor de eventos, o cancelamento causou surpresa, já que grandes shows eram esperados na Esplanada dos Ministérios.
Análise: o risco calculado do Buriti
Ao cancelar a festa, Celina Leão assume um risco calculado. Ela renuncia à visibilidade positiva de um grande evento popular para tentar sanar a maior “dor de cabeça” de qualquer governante do Distrito Federal: a saúde pública.
Se o recurso resultar em melhorias visíveis nos prontos-socorros, ela consolida sua imagem de gestora eficiente; se os problemas persistirem, a falta da festa pode se tornar munição para críticos.
