Desenrola 2.0 sob crítica: juros do consignado seguem como ‘armadilha’ para idosos

Especialistas alertam que o programa falha ao não barrar o assédio comercial e manter taxas que comprometem até 40% do salário

Após os 60 anos, idosos passam a ter direitos que ajudam a reduzir dívidas e despesas do dia a dia

Após os 60 anos, idosos passam a ter direitos que ajudam a reduzir dívidas e despesas do dia a dia | Freepik

A nova fase do programa Desenrola 2.0 tem sido recebida com ressalvas por entidades de defesa do consumidor. O ponto central da crítica é a manutenção das taxas de juros do crédito consignado, que continuam a asfixiar o orçamento de idosos e pensionistas. 

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Embora o programa facilite a renegociação de débitos vencidos, ele não ataca a raiz do problema: o comprometimento de até 40% da renda básica via desconto em folha (anteriormente em 45%), o que mantém o público em um ciclo de dependência financeira para custear itens essenciais como remédios e alimentação.

O desafio do crédito direto em folha 

Ao contrário das dívidas de varejo renegociadas no Desenrola, o consignado possui garantia real com desconto automático no benefício. Embora o programa ofereça um caminho para regularizar débitos vencidos, a manutenção das taxas de juros e da oferta agressiva por parte das instituições financeiras segue como um ponto de atenção. 

Para o segurado que vive com o salário mínimo, o comprometimento de quase metade da renda pode impactar o custeio de necessidades básicas.

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O relator do colegiado, Alfredo Gaspar (PL-AL) no relatório final da CPMI do INSS, sugeriu o fim do cartão de crédito consignado. Entre os motivos citados estão o risco de “endividamento permanente” dos aposentados.

Prevenção ao assédio comercial 

Um dos pontos que chamam a atenção na implementação da nova fase é o assédio via telemarketing, que pode atingir massivamente o público da terceira idade. 

O governo defende que o Desenrola 2.0 é um passo essencial para a reabilitação financeira, mas entidades de defesa do consumidor argumentam que a medida precisa ser acompanhada de regras mais rígidas contra a oferta indiscriminada de novos empréstimos, evitando que o ciclo de dívidas seja reiniciado logo após a renegociação.

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A Resposta da Gestão Federal 

Por outro lado, o Ministério da Fazenda defende a iniciativa como um pilar de reabilitação financeira para milhões de brasileiros. O governo aposta na educação financeira como o caminho para o sucesso do programa no longo prazo. 

Contudo, para analistas do setor social, sem uma reforma que limite a oferta predatória de crédito aos idosos, o programa pode acabar funcionando como um paliativo repetitivo, onde o beneficiário limpa o nome apenas para se endividar novamente sob as mesmas condições desproporcionais.