Lula aposta em boa relação com Trump para evitar novas tarifas ao País

Presidente do Brasil ainda afirmou que 'não precisa fazer esforços para que Trump saiba que Lula é melhor que Bolsonaro'

Petista revelou sua estratégia para lidar com o presidente dos Estados Unidos: focar no respeito institucional e deixar claro que o Brasil não aceitará ser 'alvo' comercial

Petista revelou sua estratégia para lidar com o presidente dos Estados Unidos: focar no respeito institucional e deixar claro que o Brasil não aceitará ser 'alvo' comercial | Reprodução/Jornal Nacional

Em uma de suas declarações mais diretas sobre a nova dinâmica entre Brasília e Washington, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a diplomacia pessoal será a chave para proteger a economia brasileira perante o governo norte-americano de Donald Trump.

Continua após a publicidade

Em entrevista ao jornal The Washington Post, o petista revelou sua estratégia para lidar com o presidente dos Estados Unidos: focar no respeito institucional e deixar claro que o Brasil não aceitará ser “alvo” comercial.

‘Não preciso fazer esforço para ser melhor que Bolsonaro’

Questionado sobre a relação de Trump com Bolsonaro, seu antecessor, Lula foi enfático ao dizer que não pretende interferir nas simpatias pessoais do líder americano, mas que confia em sua própria imagem internacional.

“Eu jamais pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Isso é problema dele”, disparou o presidente. “Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso”.

Para a publicação norte-americana, essa postura representa uma “mudança drástica” na diplomacia brasileira, abandonando o alinhamento ideológico e a admiração declarada que marcaram a gestão anterior.

Continua após a publicidade

Esta foi a primeira entrevista formal do presidente a um jornal desde o seu encontro com Trump na Casa Branca, em 7 de maio.

Divergências evidentes, mas diálogo aberto

Lula não evitou temas sensíveis e listou os pontos em que ele e Trump estão em lados opostos.

“Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, afirmou.

Continua após a publicidade

Apesar disso, o presidente defendeu que a política externa deve ser pragmática.

“Minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui”.

Estados Unidos passar para a frente da fila

Um dos principais objetivos de Lula é evitar a imposição de novas tarifas ao Brasil e atrair investimentos. Ele provocou o governo norte-americano ao citar a forte presença comercial da China na região, que hoje já movimenta o dobro de recursos em comparação aos EUA.

Continua após a publicidade

“A China descobriu e entrou na América Latina”, observou Lula. “Hoje, meu comércio com a China é o dobro do meu comércio com os Estados Unidos. E essa não é a preferência do Brasil”.

O presidente deixou um recado direto para a Casa Branca sobre a disputa por influência:

“Se os Estados Unidos quiserem passar para a frente da fila, ótimo. Mas eles precisam querer isso”.

Brasil quer parceria, não ser “alvo”

Além do comércio, Lula defendeu uma mudança na forma como Washington enxerga os vizinhos do sul.

O petista pediu o fim das sanções contra Cuba e o fim de interferências externas na Venezuela. O foco, segundo fontes próximas à presidência, é garantir que os Estados Unidos tratem a América Latina como parceira, e não como um alvo de políticas restritivas.

Continua após a publicidade

Mesmo buscando essa aproximação cordial, Lula reforçou que o Brasil manterá sua soberania e não pretende se curvar às determinações de Washington.