O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que não discutiu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a possibilidade de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração foi dada após reunião entre os dois líderes na Casa Branca, em Washington.
Segundo Lula, o encontro teve foco na cooperação internacional contra o crime organizado, mas sem tratar diretamente das facções brasileiras. O presidente disse ter entregue pessoalmente a Trump um documento com propostas de colaboração entre os países na área de segurança pública.
Conforme divulgado, a reunião deveria discutir seis pontos principais da recente relação entre Brasil e Estados Unidos, o Pix, embargos, minerais estratégicos, eleições, conflitos globais e crime organizado.
Os temas podem impactar diretamente a economia brasileira, afetando desde exportações e investimentos até o funcionamento do Pix e o preço de produtos ligados ao agronegócio e à indústria nacional.
Como foi a reunião
Possibilidade de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas vinha sendo debatida nos bastidores diplomáticos/Ricardo Stuckert/PRDurante a coletiva, Lula defendeu uma atuação conjunta entre diferentes nações para combater organizações criminosas transnacionais. “Nós estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América do Sul, América Latina, quiçá do mundo, para criar um grupo forte de combate ao crime organizado”, afirmou o presidente.
O petista também criticou a ideia de que organizações criminosas teriam controle territorial sobre regiões do país. Segundo ele, “os territórios são do povo” e o enfrentamento ao crime precisa ocorrer de forma coordenada entre governos.
A possibilidade de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas vinha sendo debatida nos bastidores diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos. Integrantes do governo brasileiro tentavam evitar desgastes relacionados ao tema durante o encontro entre Lula e Trump.
Lula também afirmou que o combate ao narcotráfico deve envolver medidas econômicas e sociais, além da repressão policial. Segundo o presidente, países produtores de drogas precisam receber alternativas econômicas para reduzir a dependência desse mercado ilegal.
O encontro entre os dois líderes abordou ainda temas como comércio bilateral, tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, minerais estratégicos e cooperação em segurança pública.
