PL da Dosimetria: Câmara e Senado abrem caminho para redução de pena de Bolsonaro

Congresso derrubou veto de Lula ao 'PL da Dosimetria', que reduz penas de condenados de 8 de janeiro

Na prática, o texto pode diminuir consideravelmente o tempo de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro

Na prática, o texto pode diminuir consideravelmente o tempo de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro | Lula Marques/Agência Brasil

Nesta quinta-feira (30/4), a Câmara dos Deputados e o Senado Federal derrubaram o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto conhecido como “PL da Dosimetria”, que reduz penas de condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. 

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Na prática, o texto pode diminuir consideravelmente o tempo de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso desde o fim do ano passado por tentativa de golpe de Estado.

A Câmara deu 318 favoráveis à derrubada do veto e 144 contrários. No Senado, foram 49 votos para a derrubada e 24 votos contra a derrubada do veto.

Antes da votação, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), fatiou a votação, excluindo os trechos que beneficiariam criminosos comuns ao reduzir o tempo para progressão de pena, mudança prevista no texto aprovado em dezembro de 2025.

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Bolsonaro livre em 2 anos

A estimativa é que, caso o projeto passe a valer, o ex-presidente possa migrar de regime em um prazo entre 2 e 4 anos.

O texto impede a soma de dois crime,  estabelecendo que deve ser aplicada apenas a pena do crime mais grave, com acréscimo de um sexto até a metade.

A proposta também prevê redução de pena de um a dois terços quando os crimes ocorrerem em contexto de multidão, desde que o réu não tenha financiado os atos nem exercido papel de liderança.

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Caso o veto seja derrubado também no Senado, o texto será encaminhado para promulgação do presidente da República. Caso isso não ocorra, a tarefa caberá ao presidente do Senado e, posteriormente, ao vice-presidente da Casa. 

O texto, então, se torna lei.

Até agora, 1.402 pessoas foram responsabilizadas pelos atos de 8 de Janeiro, com 431 cumprindo pena e outras 419 submetidas a medidas alternativas.

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‘Termos jurídicos sólidos’

A decisão da Câmara  de reduzir a pena dos condenados do 8 de Janeiro, inclusive de Bolsonaro, causou polêmica, mas é baseada em termos jurídicos sólidos. A avaliação é do advogado Alberto Rollo, um dos principais especialistas em direito político e eleitoral do Brasil.

“Em princípio não há nenhuma inconstitucionalidade gritante”, afirmou o advogado, em entrevista à Gazeta em dezembro do ano passado, quando o projeto foi aprovado na Casa.

Caso essa alteração se tornei lei, ele acredita que, de fato, é possível que o ex-presidente consiga uma progressão de pena em dois anos. 

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Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de estado e outros crimes. Hoje, cumpre a pena em prisão domiciliar em Brasília.