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Já que os aparelhos de academia são compartilhados, as academias podem ser tornar focos de contágio da Covid-19 e exige uma atenção redobrada para a reabertura
Já que os aparelhos de academia são compartilhados, as academias podem ser tornar focos de contágio da Covid-19 e exige uma atenção redobrada para a reabertura
Foto: Miguel Noronha/Futura Press/Folhapress

O risco da Covid-19 nas academias

Mesmo com controle de acesso e uso de máscaras, em tempos de pandemia a volta às atividades de academias e salões de beleza ainda é considerada insegura

Fazer exercícios físicos é fundamental para manter a saúde, evitar doenças e ter uma boa qualidade de vida. Mas, com o novo coronavírus circulando por aí, academias e salões de beleza podem ser tornar focos de contágio.

"O problema é a forma de transmissão do vírus, pelas vias respiratórias e, quando fazemos exercícios, nossa frequência de respiração fica mais elevada. A máscara fica úmida mais rápido e perde a capacidade de filtragem", adverte o médico patologista clínico Alex Galoro, gestor do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica.

Os aparelhos das academias devem ter uma atenção especial, visto que seu uso é compartilhado. "A cada uso, eles precisam ser desinfetados com álcool 70°", afirma. Mas esse cuidado não é porque o suor seja um vetor de transmissão do coronavírus. "As pessoas falam bastante, partículas de saliva ficam em suspensão no ar por algumas horas e caem em balcões, aparelhos, cadeiras, até no café. A pessoa pode pôr a mão nesses locais e levar ao rosto, o que pode causar contaminação".

As academias também precisam prestar atenção a outros detalhes quando voltarem às atividades. "Precisa ter um controle de acesso de praticantes por hora, ou agendar o uso do espaço, para evitar muitas pessoas no mesmo local, e os clientes vão precisar usar máscaras para entrar", adverte Cristiano Tadeu de Freitas, profissional de educação física e gestor de uma rede de academias.

Ele ainda questiona se é vantajosa financeiramente a reabertura desses locais. "Vai ter um limite de acesso de alunos por dia. Será que vai valer a pena para a empresa, com menos gente utilizando? Talvez as grandes redes consigam se adaptar a esse controle de acesso, mas e as pequenas, vai ser rentável?", questiona.

Além do lado financeiro, a retomada das academias também é arriscada em termos de contaminação. "A quarentena estimula o achatamento da curva de contaminação. Ao abrir as academias, as pessoas vão sair mais de casa". O patologista Alex Galoro concorda. "É necessário que esses locais permaneçam fechados ainda".

O educador físico e professor de crossfit Renan Araújo é contra a volta das academias agora. "O argumento para abrir, que 'academia é saúde', é saúde até certo ponto, para evitar doenças crônicas, como diabetes, pressão alta, prevenção de osteoporose. Mas ela não vai te deixar mais resistente a uma epidemia viral. Pelo contrário, vai te deixar mais exposto. Não vai ser possível manter os aparelhos limpos o tempo todo, é um ambiente fechado e pouco ventilado. Não faz sentido abrir as academias agora".

Assim, exercícios, se possível, somente dentro de casa ou, no máximo, nas academias dos prédios - alguns condomínios desenvolveram controle de acesso dos usuários, enquanto não se tem uma cura para o coronavírus. "Quando tivermos uma vacina e um remédio mais eficiente, a Covid-19 será mais uma doença que conhecemos e já teremos imunidade", completa o patologista Galoro. 

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Fotos: Miguel Noronha/Futura Press/Folhapress | Arte: Gazeta de S.Paulo

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