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Os riscos da automedicação vão de reações adversas imprevisíveis à mistura indevida de medicamentos e o mascaramento de outras doenças
Os riscos da automedicação vão de reações adversas imprevisíveis à mistura indevida de medicamentos e o mascaramento de outras doenças
Foto: Michal Parzuchowski/Unsplash

Os problemas da automedicação na quarentena

Tomar remédios por conta própria já era uma prática arriscada bem antes da pandemia e, com a quarentena, mais pessoas recorrem a automedicação para resolver problemas de saúde

Uma dor de cabeça, de garganta, um acesso de tosse: quem nunca teve? E, para cada um desses sintomas, muitos brasileiros já têm um medicamento na ponta da língua. A automedicação já se tornou um hábito no Brasil, e ficou ainda mais em evidência especialmente na quarentena, quando pacientes deixam de procurar atendimento médico por conta do risco da Covid-19, e se automedicam com que têm à disposição.

"Por conta de o atendimento médico estar mais voltado para o coronavírus, as pessoas estão tomando remédios por conta, e muitas patologias estão sendo subdiagnosticadas agora. Há um estudo que, durante a quarentena, poderemos ter perdido a chance de diagnosticar 50 mil casos de câncer. A pessoa não quer se expor ao risco de ir ao hospital, e ela acaba tentando segurar os sintomas", diz o médico Marcus Yu Bin Pai, especialista em dor, acupuntura e pesquisador da USP.

Há outra razão bem peculiar, e tipicamente brasileira, para a automedicação ser tão popular. Segundo recomendações da OMS, a Organização Mundial da Saúde, o ideal é ter uma farmácia para cada 8 mil pessoas. Por aqui, existe uma a cada 3 mil. "Isso acaba contribuindo para que a pessoa ache que a farmácia seja vista como uma lojinha na calçada, e não um local voltado para a promoção da saúde". Essa facilidade de se comprar remédios direto no balcão traz riscos consideráveis. Um deles é com antibióticos. "Muitos deles oferecem riscos. Eles podem não matar a bactéria e deixar o micro-organismo ainda mais resistente, ou ser utilizado de forma errada para infecções causadas por vírus, como gripes e resfriados", afirma o médico.

Outro medicamento que oferece riscos, e é um dos mais comprados, são os anti-inflamatórios. "Eles podem mascarar os sintomas e não tratar a patologia em si, ou retardar o diagnóstico. Há também as reações adversas, que são imprevisíveis. O abuso pode gerar problemas no fígado e no rim, além de lesões no coração e, no futuro, pode causar um infarto e até um AVC". Os corticoides entram na lista dos mais procurados, por tratarem crises alérgicas, de rinite, sinusite, além de doenças reumatológicas e artrite. "Começamos com uma dose moderada e depois vai para uma dose pediátrica, mas a pessoa continua com a dose normal por muito tempo".

Além disso, há o risco de se misturar remédios diferentes, que podem causar reações adversas imprevisíveis, e o uso inadequado em caso de doenças preexistentes. "Um exemplo são pessoas diabéticas, que ficam resfriadas e tomam um xarope para tosse. Mas não sabem que o xarope tem muito açúcar e tem um índice glicêmico alto, e pode piorar uma crise", avisa.

Os analgésicos, embora sejam um pouco mais seguros, também requerem cuidados. Para quem tem dores de cabeça muito frequentes e fazem uso desses medicamentos de forma quase contínua, o risco é de se desenvolver uma dependência. "Para resolver, é necessário fazer um 'detox', e ficar sem tomar nenhum remédio por uns dois, três meses para limpar o organismo e fazer o tratamento correto. Até analgésico simples pode retardar ou atrapalhar o diagnóstico de uma cefaleia por exemplo". Por isso o médico reforça: procure atendimento especializado. "Sempre que for possível procure um médico para saber a indicação de um remédio, e como usar", completa.

RISCOS DA AUTOMEDICAÇÃO

Não é porque um remédio resolveu um problema no passado que ele vai sanar uma doença agora. Somente um profissional pode avaliar qual medicamento é o mais adequado para cada situação, e ainda evitar que sejam feitas misturas entre remédios que possam ser muito perigosas.

Veja quais são os principais riscos:

- Agravamento da doença

- Aumento da resistência de bactérias

- Reações adversas imprevisíveis e sérias

- Reações alérgicas

- Problemas no coração, rins e fígado

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Fonte: Consultoria IQVIA e Conselho Federal de Farmácia / Arte: Gazeta de S.Paulo

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