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Com a grande quantidade de casos de coronavírus vem também muita (des)informação a respeito
Com a grande quantidade de casos de coronavírus vem também muita (des)informação a respeito
Foto: Edward Jenner/Pexels

Certezas e dúvidas sobre a Covid-19

Dos sintomas à forma de transmissão, passando pelos medicamentos e as vacinas: quais informações são verdadeiras e quais são duvidosas sobre o coronavírus

O primeiro caso de Covid-19 foi reportado no dia 1º de dezembro, na cidade chinesa de Wuhan - foi o primeiro epicentro da doença, que foi considerada pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 11 de março de 2020. Desde então, a doença já atingiu 216 países e territórios, quase 12 milhões de pessoas e muito conhecimento - e informação errada - foi divulgado desde então.

Por exemplo, no quesito transmissão, é pelo ar que o coronavírus anda: a OMS admitiu na terça-feira, dia 7, a possibilidade de transmissão do coronavírus pelo ar. "A transmissão mais comum é por via aérea, por proximidade, em uma distância de até 3 metros", informa o infectologista Renato Grinbaum, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia-SP. Mas é por um tempo curto, e geralmente por gotículas respiratórias que uma pessoa contaminada pode espalhar enquanto fala - e essas gotículas podem cair em superfícies, que podem levar a Covid a outras pessoas. "Elas podem ficar em maçanetas, torneiras, em locais que são manipulados com muita frequência", adverte Grinbaum.

E os sintomas? Segundo o médico, o mais comum é...não ter - ou, no máximo, sinais leves. "De 20% a 30% das pessoas vão desenvolver sintomas, como febre, tosse, dores musculares, perda de olfato e paladar. Mas, como estamos tendo muitos casos, há registros de lesões de pele, neurológicas, no cérebro, que são mais raros, acontecem em uma a cada 10 mil, 20 mil pessoas".

Uma vez infectado pelo coronavírus, desenvolve-se imunidade para a vida toda? Acreditava-se que sim, mas os pesquisadores não podem afirmar com 100% de precisão. "A doença só está entre nós há 6 meses, não deu tempo para ter certeza", disse Grinbaum. O novo coronavírus é mais um - há mais seis deles em circulação, e o Sars-CoV2 (seu nome técnico) é o mais agressivo da família.

A notícia boa sobre remédios que curam a Covid-19 ainda não apareceu, embora haja algumas substâncias sendo utilizadas para ajudar no processo. O infectologista disse que há dois tipos sendo estudados. "Os que combatem os vírus, como a cloroquina, a ivermectina e o remdesivir não mostraram uma eficácia grande. Já a dexametasona ajuda o corpo a organizar seu sistema de defesa, mas é para ser usada nos casos mais graves que estão na UTI. Caso contrário, o remédio pode até piorar a infecção. Somente um médico pode prescrever esse tratamento", disse.

E quem está sujeito a pegar a Covid-19 são as pessoas do chamado grupo de risco, que compreende idosos, diabéticos, pessoas com doenças cardiovasculares e obesos? A resposta é não. "As manifestações graves podem aparecer em qualquer pessoa, mas o grupo de risco tem uma propensão a ter a forma mais grave", informou.

Já quando se fala na prevenção, enquanto a vacina não vem, o combo distanciamento social-máscara-álcool gel (ou água e sabão) ainda é a melhor forma de se evitar a doença. "A máscara é muito importante, a higienização das mãos também, com água e sabão ou álcool em gel, mas mais importante é ficar em casa e, se tiver que sair, ficar longe das pessoas", avisa. Ou seja: o cuidado ainda é o melhor remédio. 

 

Covid-19 e as fake news

Com a grande quantidade de casos de coronavírus vem também muita (des)informação a respeito, desde a forma de contágio até substâncias que podem curar a doença. Veja alguns mitos sobre a Covid-19:

Consumo de álcool protege contra o coronavírus?

Mito. O consumo de álcool, além de não proteger, pode causar problemas de saúde, se for ingerido em excesso.

• A Covid-19 é letal somente em idosos?

Mito. A taxa de letalidade é maior em idosos, mas infelizmente o coronavírus pode levar à morte pacientes mais jovens.

Água tônica serve como remédio contra a Covid-19?

Mito. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, foi feita uma associação errada entre o quinino, uma substância presente na água tônica, e a cloroquina, um dos remédios que foram utilizados para o tratamento da Covid-19, e que estudos mostraram sua ineficácia.

• Qualquer tipo de álcool serve para higienizar as mãos?

Mito. Para usar nas mãos, o indicado é o álcool 70%, bastante eficaz para eliminar o coronavírus.

• Se estiver usando máscara, posso ficar mais perto das pessoas?

Mito. A máscara protege, mas ela sozinha não faz todo o trabalho. É recomendável ficar distante das pessoas para evitar o contágio.

Vacinas em teste

Há algumas vacinas em processo avançado de desenvolvimento, e duas estão sendo estudadas no Brasil. A empresa chinesa SinoVac, em parceria com o Instituto Butantan, começou os testes da fase 3 do seu imunizante, e voluntários humanos receberão as primeiras doses a partir de 20 de julho. Já a Universidade de Oxford, da Inglaterra, está com sua vacina em estágio avançado e a Fiocruz desenvolverá a tecnologia no Brasil. A estimativa é que os testes em humanos aconteçam entre outubro e novembro de 2020. Uma vez provada a eficácia das vacinas, elas estarão aptas para serem aplicadas na população.

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