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É importante se colocar no lugar do outro e entender os problemas pelos quais ele está passando
É importante se colocar no lugar do outro e entender os problemas pelos quais ele está passando
Foto: Divulgação

Setembro Amarelo traz a importância do apoio

O Setembro Amarelo é um lembrete da importância de perceber quando pessoas têm dificuldades para lidar com os problemas da vida – e mostrar a elas que podem contar umas com as outras

A cor do mês de setembro é o amarelo, e não tem a ver com a primavera. O dia mundial de prevenção ao suicídio é lembrado todo dia 10 de setembro, e por conta da data, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), junto com o Centro de Valorização da Vida (CVV) instituíram, em 2014, o Setembro Amarelo – que traz luz e conforto para quem não vem se sentindo bem.

De acordo com informações da iniciativa Setembro Amarelo, são registrados aproximadamente 12 mil casos de suicídio no Brasil por ano – o CVV, que é uma organização que presta serviço voluntário e gratuito de prevenção ao suicídio, realiza 240 mil atendimentos por mês, que são feitos via chat, telefone, e-mail ou por carta. São histórias de pessoas com dificuldades de lidar com seus problemas.

“Quase 100% das pessoas que tentam se suicidar têm algum transtorno mental, uma doença mental, é fundamental estar atento a isso”, avisa a psicóloga Milene Rosenthal, uma das fundadoras da Telavita, clínica digital de psicoterapia. E essas pessoas costumam manifestar alguns sinais, que não podem passar despercebidos e não são repentinos – eles acontecem de maneira gradual. “Basicamente a pessoa sente um desânimo, fica mais isolada, tem mudanças significativas de comportamento e, principalmente, pensamentos negativos. O tema ‘vida’ passa a fazer parte do discurso dela, é como se ela perdesse a vontade de viver”.

Frases como ‘não vale mais a pena eu estar aqui’, ‘eu não tenho mais utilidade’, ‘não faço nada certo’ são um aviso. “É importantíssimo tentar entender o que ela está dizendo, escutá-la, acolhê-la e buscar ajuda, e incentivá-la a buscar ajuda”. Mesmo porque o simples fato de ela saber que tem um apoio já é um belo primeiro passo. “Quando você abre esse espaço de conversa, ela se sente acolhida. Conversar alivia, elabora pensamentos, traz outras perspectivas”.

E ter outras perspectivas é o que pode começar a fazer a diferença. Segundo a psicóloga, na maioria das vezes, as pessoas com pensamentos suicidas têm transtornos depressivos. Em segundo lugar no ranking de causas, há o abuso de álcool e dependência química, e em seguida, a esquizofrenia (distúrbio que afeta a capacidade da pessoa de pensar, sentir e se comportar com clareza).

Mas isso não significa que a depressão sempre traga esse tipo de comportamento. “Não é porque eu tenho transtorno mental que vou pensar em suicídio. Precisamos trabalhar o passado da pessoa. Todo trauma é significativo, alguém que sofreu abuso psicológico, até sexual, e não consegue conviver com isso, pode não aguentar mais e se não for tratado, pode chegar ao ponto de tirar a vida”.

A conversa com familiares e amigos é um bom começo, e uma ajuda especializada, de psicólogos e psiquiatras, é ainda mais eficaz – até para identificar a raiz do problema. “Quando você tem um transtorno mental, já não enxerga a realidade de forma adequada e integral, há um comprometimento da autonomia e do seu poder de decisão. Por isso, quando uma pessoa tem transtorno mental e tem pensamentos suicidas, não podemos menosprezar, ela não está chamando a atenção. Ela está doente e precisa ser tratada”. Assim, a iniciativa do setembro amarelo serve para que possamos perceber se amigos ou familiares estão passando por períodos difíceis – e dar a eles uma luz para ajudá-los a sair da escuridão.

Vamos praticar a empatia?

Não é dizer 'vai passar' ou 'vai ficar tudo bem': é importante se colocar no lugar do outro e entender os problemas pelos quais ele está passando - isso é a empatia. E há um serviço muito importante que ajuda muito, o CVV (Centro de Valorização da Vida). O trabalho dos mais de três mil voluntários é de ouvir sem fazer julgamentos nem ter preconceitos, e ajudar o outro na busca pelo autoconhecimento. O atendimento é feito pelo telefone 188 (gratuito) e, para mais informações sobre demais canais de atendimento e para se tornar voluntário, acesse o site cvv.org.br.

Como identificar?

Perceber alguns comportamentos é fundamental para ajudar amigos ou familiares que tenham pensamentos suicidas, para oferecer ajuda o quanto antes, até para abreviar o sofrimento. Em muitos casos, a noção de realidade da pessoa está bastante abalada e ela não consegue ver as coisas como elas são.

- Desânimo

- Isolamento

- Mudanças de comportamento

- Pensamentos negativos

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