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O horário ideal para tomar sol é entre 9h e 15h, porque é quando os raios ultravioleta incidem em um ângulo favorável
O horário ideal para tomar sol é entre 9h e 15h, porque é quando os raios ultravioleta incidem em um ângulo favorável
Foto: Jonathan Borba/Unsplash

A vitamina do sol

Sempre lembramos da vitamina D como aquela que faz bem para os ossos, mas os benefícios dela vão além: ajudam o sistema imunológico a ficar mais alerta

É como se fosse mágica: o sol bate na pele, que produz vitamina D. Sabemos que essa substância ajuda a manter os ossos e músculos mais firmes. Mas ela tem uma característica menos conhecida, mas não menos importante, a de ajudar as células de defesa do corpo a combater agentes causadores de doenças, como o coronavírus – e essa descoberta não é nova.

“Antigamente a tuberculose era tratada assim: os pacientes iam para locais abertos e montanhosos, e eles eram colocados para tomar sol. Já se sabia que tinha algum benefício em se tomar sol, especialmente no caso de infecções pulmonares”, explica a endocrinologista Marise Lazaretti, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Hoje se sabe que a vitamina D, na verdade, é um hormônio, porque é produzido pelo corpo – as vitaminas são substâncias que o organismo não consegue produzir e devem ser adquiridas pela alimentação. “Quando ela foi descoberta, já se conheciam as vitaminas A, B e a C, e descobriram essa, que achavam que vinha do alimento, e puseram o nome de vitamina D”.

E é a vitamina D a responsável pela absorção de cálcio pelos ossos. Quando há uma deficiência dessa substância, os ossos podem ficar menos rígidos e há um risco maior de fraturas. Os músculos também sentem essa falta. “Há muita dor e fraqueza muscular, e pode aumentar o risco de fraturas. Quando a deficiência existe, mas não é tão intensa, às vezes a pessoa não sente nada, mas o osso vai sendo descalcificado e pode aumentar a chance de ter osteoporose ou fratura”. Nas crianças, a falta de vitamina D causa uma doença chamada raquitismo. “Ela causa uma deformidade óssea, porque o osso não se calcifica”.

O processo de produção da vitamina D é complexo (confira no infográfico como funciona). O sol é o precursor de tudo isso. O horário ideal para tomar sol é entre 9h e 15h, porque é quando os raios ultravioleta (especialmente o ultravioleta B, que é o responsável por essa transformação) incidem em um ângulo favorável. Além disso, não se deve usar filtro solar, porque ele barra justamente essa radiação responsável pela produção da vitamina D. Mas nem tudo está perdido. “Dez minutos de exposição são suficientes para produzir vitamina D. Depois pode usar o filtro solar”, aconselha Lazaretti.

Macaque in the trees
Arte: Gazeta de S.Paulo

Mas quando não se consegue tomar sol, especialmente quem mora nas grandes cidades, a opção é tomar a vitamina por meio de medicamentos. O médico calcula a dose ideal, que depende da faixa etária, para ser ingerida. Outros casos que a suplementação é indicada são as crianças, para evitar o raquitismo, os idosos, cuja pele é mais delicada e não sintetiza a vitamina com eficiência, e os obesos. “A vitamina D é sequestrada pelo tecido adiposo [gorduroso] do corpo, e acabam ficando com deficiência. Eles são também um dos grupos de risco para a Covid-19 mais grave”.

De qualquer forma, o importante é não ter deficiência dessa substância tão importante para o corpo, ainda mais em tempos de pandemia. “Há estudos que mostram que, quando foi corrigida a deficiência de vitamina D em pacientes infectados pelo coronavírus, eles tiveram uma resposta melhor à infecção”. Não é necessário tomar doses exageradas, mas suficientes para o organismo funcionar plenamente e preparado para enfrentar o dia a dia.

Vitamina x hormônio

A diferença principal é a capacidade que o corpo tem de produzir a substância. A vitamina não é sintetizada pelo organismo, precisa ser adquirida por meio da dieta e em quantidades bastante pequenas. Já os hormônios são produzidos pelo corpo, mas não o tempo todo: eles funcionam como mensageiros. Um exemplo é a insulina, que nasce no pâncreas quando ingerimos carboidratos: ela ajuda a glicose a entrar na célula. A adrenalina vem das glândulas suprarrenais (que ficam acima dos rins) quando o corpo percebe que está em perigo e o prepara para passar por situações de estresse: é aquele 'pique' para correr quando vemos algum animal perigoso, ou ouvimos um barulho assustador e procuramos nos esconder.

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