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Os testes atuais das vacinas, por mais precisos que sejam, não conseguem avaliar alguns detalhes, que serão vistos somente no dia a dia
Os testes atuais das vacinas, por mais precisos que sejam, não conseguem avaliar alguns detalhes, que serão vistos somente no dia a dia
Foto: Freepik

Quatro vacinas em teste… qual a melhor?

Mais de 200 vacinas contra a Covid-19 estão em teste no mundo; no Brasil, quatro delas estão em estágio avançado e poderão em breve ser aprovadas para a população

Para combater um inimigo perigoso, a defesa deve estar de prontidão. No caso, o inimigo é o incansável coronavírus. Para combatê-lo, um sistema imunológico eficaz, que identifique o invasor e neutralize seus efeitos. O problema: como fortalecer essa retaguarda? Além das recomendações sanitárias, é o uso de uma vacina eficaz, que faz o corpo produzir anticorpos capazes de bloquear a ação do coronavírus – quatro delas  estão na última fase de testes no Brasil.

“Os testes das vacinas estão indo bem, sem grandes eventos graves, o que demostra segurança”, afirma Mayra Moura, diretora Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). As que estão em teste atualmente no Brasil são a da chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan; a da Universidade de Oxford com a AstraZeneca, em conjunto com a Universidade Federal de São Paulo e que será produzida pela Fiocruz; a da Pfizer-Biontech; e a da Janssen-Cilag, que faz parte do grupo Johnson & Johnson. Elas ainda aguardam autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para serem liberadas à população e, embora tenham se mostrado eficazes nos testes até agora, elas têm alguns pontos a serem observados.

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Arte: Gazeta de S.Paulo

“As da Oxford e da Janssen usam uma tecnologia nova, é mantida em temperaturas entre 2°C e 8°C, o que facilita o transporte, e vem demonstrando ser segura e eficaz. A da Sinovac é uma tecnologia já utilizada há muitos anos, que é a vacina inativada, também com armazenamento entre 2°C e 8°C. A da Pfizer tem tecnologia bem inovadora, que traz como vantagem a capacidade de delegar para o organismo a produção do antígeno da vacina, acelerando o processo de fabricação, mas tem como desvantagem o fato de elas precisarem estar em temperaturas congelantes”, explica Moura.

Mas os testes atuais das vacinas, por mais precisos que sejam, não conseguem avaliar alguns detalhes, que serão vistos somente no dia a dia.

Um deles é a eficiência: saber por quanto tempo a proteção criada pela vacina dura no corpo. Outra é saber como diferentes faixas etárias respondem aos efeitos do imunizante. “É normal que haja diferença de resposta no idoso e no adulto saudável. No idoso, em especial, existe o efeito do envelhecimento do sistema imunológico, que fica mais enfraquecido. Nele, a tendência é que a resposta não seja tão boa, mas não quer dizer que a vacina não seja eficaz”, explica Moura.

Outro detalhe importante é imaginar o caso de duas ou mais vacinas serem aprovadas para uso no Brasil. O tipo de tecnologia empregada no desenvolvimento das vacinas do coronavírus são bem diferentes entre si, e podem provocar reações diversas também. “Se a pessoa tomar a primeira dose de uma vacina e a segunda dose de outra, muito provavelmente não vai ter proteção de nenhuma”.

E, mesmo tomando a vacina, as medidas de proteção ainda continuam valendo até que a grande maioria das pessoas esteja com as defesas em dia. “Nenhuma vacina é 100% eficaz: mesmo que uma tenha 90% de eficácia, significa que 10% da população vacinada não está protegida. Então uma pessoa pode estar vacinada e não estar protegida. Assim, quando a grande maioria das pessoas tomar a vacina, vai resguardar quem não conseguiu se proteger. O vírus não chega em ninguém, e ele para de circular”. Mas, enquanto ela não chega, a melhor proteção ainda é o uso de máscaras, distanciamento social e higienizar as mãos.

Pode voltar à normalidade?

Não é bem assim. Mesmo com a aplicação em massa da vacina, ainda é cedo para voltar para as aglomerações. Primeiro é necessário vacinar uma grande parcela da população, não somente no Brasil, mas em todo o mundo, para cortar a circulação do coronavírus. Outro detalhe é saber quanto tempo dura a proteção da vacina, se uma dose é suficiente, ou se precisa repetir a cada ano, como é a da gripe. Para se descobrir isso, são anos de estudo, para enfim ter alguma resposta.

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